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Estranhamento onírico

por Álvaro Machado — publicado 15/07/2016 04h52
Peça faz com que gestos, luzes, cenografia e palavras assumam pesos semelhantes, em busca de uma cena total
Jennifer Glass
Melancolia de Pandora

Um passeio pelos desvãos da psique em busca de uma identidade perdida

Uma aventura teatral internacional une em encenação colaborativa as companhias brasileiras BR116, capitaneada por Bete Coelho, a Lusco-Fusco, do diretor e ator André Guerreiro Lopes com sua mulher, Djin Sganzerla, e a L’ Ange Fou, criada em Paris em 1984 pelos dramaturgos e diretores Steven Wasson, norte-americano, e Corinne Soum, francesa. Estes foram os últimos assistentes na admirável trajetória do teatrólogo, ator e mímico francês Étienne Decroux (1898-1991).

O chamado “teatro do movimento” ou “teatro físico” de Decroux rege os caminhos de A Melancolia de Pandora, a fazer com que gestos, luzes, cenografia e palavras assumam pesos semelhantes, em busca de uma cena total.

É sob a regência do olhar onírico desse gênero especial, com gosto pelo estranhamento provocado por situações absurdas, que se desenrola a história de Pandora (Sganzerla), mulher de memória estilhaçada e induzida a um passeio pelos mitos da humanidade a fim de recuperar sua identidade, em ecos da Peça de Sonho de August Strindberg.

Seu médico, Ahriman (Guerreiro), é interlocutor dos desvãos mais escuros da psique, a repercutir os mitos zoroástricos que inspiraram Nietzsche.

Melancolia de Pandora. Steven Wasson e André Guerreiro Lopes. Sesc Belenzinho (SP). De 15 de julho a 17 de agosto.

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