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Cultura

Exposição

Mostra exibe a HQ italiana desde os faroestes

por Rosane Pavam publicado 08/07/2016 13h14
Exibição no Centro Cultural São Paulo engloba período de 1950 até hoje
Corto Maltese

Corto Maltese, de Hugo Pratt, está na exposição

Arquiteto e historiador da arte moderna, Maurizio Scudiero, de 62 anos, diz ter crescido em sua Itália natal à base de pão, chocolate quente e Tex Willer. Os dois primeiros eram os alimentos de sua juventude. Mas quem acendia os dias de sonho era o personagem que, criado por Gianluigi Bonelli, ainda hoje se vê recriado por gerações de artistas.

Tex tornou-se simbólico de um Velho Oeste peculiar. À moda de Scudiero, o cineasta Sergio Leone lia as aventuras do caubói que portava a justiça a galope. Delas serviu-se para suas sagas de western spaghetti, vetadas a menores naqueles anos 1960 em que Scudiero cresceu. Sem os filmes, as crianças do período sorviam os líricos assassínios nos faroestes de papel.

Os fumetti compõem de maneira inescapável essa alma italiana. “Depois do cinema, da moda e talvez da Ferrari, creio que os quadrinhos ganharam seu lugar como grandes contribuições artísticas de meu país”, acredita Scudiero, que desde 2012 organiza a mostra desta seleção de trabalhos por vários países europeus e da América do Sul.

Comics, que paixão! - Quadrinhos italianos, de 1950 até hoje. Centro Cultural São Paulo. De 5 de julho a 14 de agosto.

Piccolo Ranger
Piccolo Ranger, de Franco Donatelli
Para o Brasil, ele trouxe 70 originais extraídos de sua coleção particular. E, como diz, “rejuvenesceu” sua curadoria, de modo a apresentar uma produção atual, como aquela contida nas graphic novels densas e assombrosas de GiPi e Zerocalcare.  

Tex estará por lá, assim como o Piccolo Ranger de Franco Donatelli, navegador de idêntica tendência western. As histórias de Topolino, o Mickey Mouse que os artistas italianos tornaram sua marca, a ponto de “exportá-las” à Disney matriz, também se veem exemplificadas em originais.

As aventuras do Corto Maltese, de Hugo Pratt, e a reverência que lhe prestaram Guido Crepax e Milo Manara percorrem a breve mostra promovida pelo Istituto Italiano di Cultura, assim como a produção de revistas como a Frigidaire, onde brilharam Stefano Tamburini e Tanino Liberatore. Os artistas criaram Ranxerox, um herói de contornos renascentistas e violenta indiferença, a evocar o terror e as distopias sociais no fim dos anos 1970. 

*Publicado originalmente na edição 908 de CartaCapital, com o título "Era uma vez nos fumetti"