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Cultura

Exposição

E o samba se fez poesia

por Ana Ferraz publicado 23/09/2016 09h27, última modificação 25/09/2016 09h28
O lirismo de Cartola em músicas, fotos, vídeos e depoimentos
Coleção Tinhorão/ Instituto Moreira Salles
Cartola

Cartola sorri ao lado de Nelson Cavaquinho, artífice de sonhos ainda sonhados

Cada vez que Cartola compunha, o samba se fazia poesia. O compositor magro, dono de elegância capaz de conferir dignidade a um surrado chapéu-coco, usado para impedir que os pingos de tinta lhe sujassem a cabeça de trabalhador braçal, fabricou sonhos até hoje sonhados. É sobre a trajetória desse poeta de alma mangueirense que se debruça a 31ª edição da ocupação realizada pelo Itaú Cultural. 

A trajetória de Angenor de Oliveira, fundador da Estação Primeira de Mangueira, cuja vida de altos e baixos forneceu matéria-prima de primeira qualidade para cerca de 500 canções, é exibida no Itaú Cultural sob a condução de seis eixos, 1908, o Nascimento, Encontros/Rua, Zi Cartola, Casa/Varanda, Palácio do Samba e Cartola de Ouro. Uma boa surpresa, quem for conhecer a ocupação vai receber um libreto com nove poemas inéditos. 

Ocupação Cartola - Itaú Cultural, São Paulo. De sábado 17 até 13 de novembro

Imagens históricas, audiovisuais e paisagens sonoras vão conduzir o visitante a encontros do poeta com notáveis tais como Carlos Cachaça, Nelson Sargento, seu parceiro em Ciúme Doentio, Nelson Cavaquinho, Heitor dos Prazeres, Lamartine Babo. Dona Zica, o amor maior, surge em diversos momentos. No que talvez se revele o mais singular registro da relação afetuosa de ambos aqui exposta, o poeta é retratado no quintal, ao lado da companheira a pendurar roupas no varal.