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A conquista do Velho Leste

por Rosane Pavam publicado 13/07/2016 04h48
Ciclo mostrará pela primeira vez, no Brasil, o comunista na pele do impensável vingador solitário
Reprodução
Filme

Cena do filme O sol branco do deserto

União Soviética, 1918. Czaristas e liberais armam-se contra os bolcheviques nas localidades desérticas. Os brancos acreditam que derrubarão os vermelhos, mas o tempo provará que sonharam demais.

A monumental guerra civil pela conquista do território, concluída três anos depois, jamais rendeu uma fileira de ficções cinematográficas à moda daquelas de Eisenstein, mas bangue-bangues feitos com muita competência para cativar o grande público.

O ciclo O Faroeste Soviético, com 17 filmes da estatal Mosfilm, mostrará pela primeira vez, no Brasil, o comunista na pele do impensável vingador solitário, de modo a repetir os italianos em seus western spaghetti.

Nos filmes sob essa temática, produzidos pelos soviéticos entre os anos 1920 e 1980, a alternar a vasta paisagem e os close-ups, o caubói é o vermelho, desagradado do burguês.

Ele pode ser um lutador solitário, do tipo daquele descrito em O Sol Branco do Deserto (1969, na foto), de Vladimir Motyl, que finca um punhal na areia do deserto para calcular as horas.

Ou haverá uma gangue deles, juvenis, como os descritos em Os Vingadores Invisíveis (1967), a cuspir nos reacionários.

O faroeste vermelho. Caixa Cultural Rio de Janeiro. Até 17 de julho. 

O diretor Edmond Keosayan misturou os clichês da luta sobre cavalos (e haverá sempre um deles, solitário, a indicar o trágico paradeiro de seu dono) e os números musicais, muitos deles acompanhados de sapateado, em um perfeito equilíbrio entre a crueldade e o humor. 

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