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A carta derradeira

por Ana Ferraz publicado 02/09/2016 12h15, última modificação 04/09/2016 05h03
Livro "O Sargento, o Marechal e o Faquir" mostra a trajetória trágica de Soares, cujo assassinato ficou conhecido como “o caso das mãos amarradas”
AFP
Elizabeth

Elizabeth no cemitério São Miguel e Almas, Porto Alegre, onde o marido foi enterrado

Na última carta à mulher que jamais deixou de amar, Manoel Raymundo Soares pede a Elizabeth Chalupp Soares um sacrifício desmedido, assumir no mais doloroso dos momentos seu lado mais forte, aquele de “jovem senhora valente, de respostas desconcertantes”.

É uma súplica derradeira, pois ele escreve da prisão, de onde não sairá vivo. Sargento expurgado do Exército, Soares foi preso em março de 1966 ao planejar a distribuição de panfletos contra a presença do marechal Castello Branco em Porto Alegre.

A trajetória do jovem idealista de origem pobre, traído por um faquir de araque informante do SNI, sempre fascinou o jornalista Rafael Guimaraens, que considera Soares a primeira vítima da repressão após o golpe de 64.

De posse das cartas do sargento à amada, reconstitui no livro O Sargento, o Marechal e o Faquir a trajetória trágica de Soares, cujo assassinato ficou conhecido como “o caso das mãos amarradas”. Em 2005, a União foi responsabilizada pela morte do ex-sargento. Elizabeth morreu em 2009, sem receber a indenização.

O Sargento, o Marechal  e o Faquir. Rafael Guimaraens. Libretos. 271 págs., 35 reais