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À beira do mapa-múndi, MITsp vende ingressos no dia 18

por Alvaro Machado — publicado 16/02/2016 09h01, última modificação 18/02/2016 08h47
Em 2015, 19 mil lugares foram tomados em apenas quatro horas de venda
Cinderela contemporânea é narrativa palatável também por público infantojuvenil

Cinderela contemporânea é narrativa palatável também por público infantojuvenil

O País já se equilibra nas beiradas do mapa-múndi e certo isolamento é consequência provável para quem deve estabelecer contratos internacionais em meio à crise econômica com câmbios 40% majorados em doze meses e impostos a devorar metade dos valores dos contratos com cias. estrangeiras.

A terceira edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo –, enxuta desta vez para dez espetáculos, realiza-se devido o perfil de dois de seus apoiadores, fiéis desde 2013. O Itaú Cultural e Sesc-SP estão entre a meia dúzia de mecenas culturais a contar, hoje, com alguma bala na agulha.

Os consulados de França e Polônia, bem como o Goethe-Institut SP, colaboraram com a dupla Antônio Araújo (curador) e Guilherme Marques (produtor), a medula do evento, mas já se pensa tornar o festival bianual.

Em 2015, 19 mil lugares foram tomados em apenas quatro horas de venda, e desta vez os ingressos estarão disponíveis às 14horas desta quinta-feira 18.

Sem cobrança de ingressos porém, e sempre concorridos, foram fortalecidos os eixos crítico e pedagógico de primeira linha, coordenados por professores de Pós-Graduação em cursos de teatro. Já os palcos desta edição revelam o encenador Joël Pommerat, dramaturgo e diretor francês que a Cia. Brasileira de Teatro, do diretor Márcio Abreu, encenou em espetáculos ao lado de Renata Sorrah (Esta Criança etc.).

Pommerat exibe sua mais recente criação, Ça Ira (Vai Rolar), a posicionar uma Revolução Francesa no atual quadro sócio-político internacional. Sua companhia também se encarrega do espetáculo de abertura 3ª Mostra, no amplo Auditório do Ibirapuera, com uma Cinderela contemporânea, narrativa palatável também por público infantojuvenil.

3ª Mostra Internacional de Teatro - Em São Paulo, de 4 a 13 de março de 2016

Sintético, um panorama sobre o racismo toma corpo com o extraordinário ator-bailarino congolês Faustin Linyekula (A Carga). Juntam-se a esse espetáculo uma história do papel libertador da música popular na África do Sul, por Neo Muyanga, que adota título de duplo sentido: Revolting Music; e um exame das relações entre Brasil e Haiti desde o sismo de 2010, cuja devastação foi socorrida pelo Exército brasileiro: Cidade Vodu estreia com o Teatro de Narradores (SP) junto a imigrantes haitianos na cidade e ocupa, com o público, a surreal Vila Itororó dos anos 1920, originalmente art-déco e atualmente em reformas.

Também foi cogitado para tal panorama o diretor branco sul-africano Brett Bailey e seu polêmico Exhibit B, destaque dos últimos festivais de Avignon e Estrasburgo, mas a crise financeira postergou a atração para uma próxima edição.

Disputada estrela da dança-teatro nos EUA e Europa, o grego Dimitris Papaioannou mostra Natureza Morta, a incluir cenografia monumental, digna de grandes mostras de artes visuais. O artista multimídia, apontado pelo diretor Bob Wilson como um dos maiores da atual cena, foi destaque na última Bienal de Veneza.

De outro lado, era intenção dos curadores da MIT compor painel do atual teatro polonês, um dos mais férteis do mundo. A contenção restringiu a grade a apenas um mega-espetáculo, assinado pelo mestre polonês Warlikowski, pela primeira vez no Brasil com seu antológico (A)polônia, encenação  que inclui bonecos ao lado dos muitos atores, como nos espetáculos de Tadeusz Kantor.

A Alemanha e sua “mania” de estatísticas toma o palco do Theatro Municipal de São Paulo com cem atores e figurantes, alemães e locais, no espetáculo experimental 100% São Paulo, da cia. alemã Rimini Protokoll.

O público poderá avaliar, então, a autêntica subversão matemática que consiste em ilustrar ao vivo uma pesquisa estatística, como o grupo alemão já demonstrou em 100% Berlim e em outros 22 experimentos ao lado de plateias em Tóquio, Paris e outras capitais de todo o planeta.

Entre os dez espetáculos programados, An Old Monk (Um Velho Monge ou O Velho Monk) reúne grupo de artistas flamencos (Bélgica). Dirigido por Kris Defoort, o ator e bailarino Josse de Pauw, de 64 anos, se encarrega de interpretações bem-humoradas, com direito a coreografia nudista, para as geniasi composições do jazzista norte-americano Thelonious Monk (1917-1982).

Outra estreia brasileira, a nova montagem da cia. Ultralíricos, do diretor Felipe Hirsch, é Tragédia Sul-Americana, na mesma linha compositiva dos espetáculos Puzzle, do encenador. Desta vez, os diálogos derivam de textos consagrados de escritores de língua espanhola em território latino-americano.