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Cultura

Edição 630

Beleza trágica

por José Geraldo Couto — publicado 26/01/2011 07h27, última modificação 26/01/2011 11h27
Em sua coluna "Calçada da Memória", José Geraldo Couto fala da beleza trágica de Romy Schneider, que viveu traumas na vida pessoal e no cinema

De Romy Schneider (1938-1982) se poderia dizer, deformando o verso de Vinicius: “Tão linda que só atrai sofrimento”. Sua curta vida pessoal foi marcada por quase tantas tragédias quanto as que viveu na tela. Filha de atores, nasceu em Viena e estreou no cinema aos 14 anos, ao lado da mãe, Magda Schneider, em Quando Voltam a Florescer os Lilases.

Três anos depois ganharia fama internacional ao encarnar a imperatriz adolescente Sissi, no primeiro filme de uma trilogia dirigida por Ernst Marischka. Começou a se livrar da imagem de princesinha ao estrelar, em 1958, Senhoritas de Uniforme, de Géza von Radványi, que tratava de lesbianismo num colégio feminino. No mesmo ano, nas filmagens de Christine, apaixonou-se por Alain Delon, com quem se mudou para Paris. O romance durou até 1964.

No início da década de 60, a atriz floresceu para o grande cinema. Em poucos anos trabalhou com Visconti, Orson Welles, Otto Preminger e Henri-Georges Clouzot (no mítico e inacabado L’Enfer).

Foi prostituta, aristocrata, dama burguesa e ardilosa golpista em filmes de Deray, Losey, Zulawski, Chabrol e Costa-Gavras. Todos queriam Romy, que além de bela tinha um talento luminoso. A tendência à depressão, ao álcool e ao tabagismo compulsivo não a impediam de ser amada pelas câmeras. A barra começou a pesar mesmo em 1979, com o suicídio de seu primeiro marido, Harry Meyen.

Em 1981, o golpe fatal: ao saltar um portão, seu filho de 14 anos, David, morreu perfurado na grade. Menos de um ano depois, Romy foi encontrada morta em seu apartamento. Parada cardíaca. Suspeita-se de overdose de álcool e sedativos.