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Beatles e futebol

por Socrates — publicado 11/12/2010 12h21, última modificação 11/12/2010 12h23
Ver o show de Paul McCartney, dentro de um estádio lotado, é um feito extraordinário, inesquecível, comparável a um gol de título

Quando garoto eu me apaixonei perdidamente pelos Beatles. Os caras eram o máximo para minha cabecinha infantil, mas plena de sonhos. Let it be, Help e muitos outros foram títulos musicais inesquecíveis. Ao lado do futebol, a música fez parte de minha formação sensitiva e intelectual, ainda que nunca tenha verdadeiramente me aproximado da língua inglesa que até hoje me leva a pensar mais nos americanos do norte e pouco aos ingleses. Uma pena, pois são muito diferentes, mesmo que em algum momento das suas histórias tenham sido, ou ainda são, imperialistas, no pior sentido da palavra.
Mas isso não vem ao caso já que fomos (ou ainda somos) escravagistas. Nem por isso devemos nos penitenciar generalizando estes desvios de conduta ideológica. Se o futebol nunca me ofereceu um ídolo pleno, os Beatles sim. John- Lennon me fez perceber que o mundo caminhava e ainda caminha para a destruição da humanidade por meio da perda ou esquecimento do humanismo.
Quando a banda se dissolveu perdi um pouco o rumo, retomado logo depois com a melhor fase de John. Imaginemos alguém brigando pela paz em pleno coração de Nova York, absolutamente envolvida com a invasão do Vietnã? Grande ser destemido defendendo suas causas. Assistindo Paul McCartney no Morumbi, palco dos sonhos esportivos, em pleno domingo de festa e absolutamente lotado de emoções, pude finalmente juntar os cacos de quem sou hoje. Um êxtase extraordinário, imperdível e inesquecível, como um gol de título.
Fugindo da realidade
Reapresento aqui o comunicado oficial do comitê organizador da Copa após os conflitos no Rio de Janeiro:
Na qualidade de presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e tendo em vista os recentes episódios de violência ocorridos no Rio de Janeiro, torno público o seguinte comunicado:
1) Ratifico a confiança no poder público e o reconhecimento ao esforço desenvolvido no Estado do Rio de Janeiro com o objetivo de reduzir a violência urbana;
2) Renovo a mais absoluta confiança no poder de planejamento, prevenção e combate à violência que vem sendo comandado pelo governador Sérgio Cabral e pelo seu secretário de Segurança, José Mariano Beltrame;
3) Vê-se hoje no Rio de Janeiro que a sociedade reage firmemente aos incidentes provocados por criminosos, numa mostra de que a política de segurança conta com o apoio da opinião pública e da mídia, porque está sendo planejada e executada de maneira contínua para reduzir os índices de violência;
4) Em consequência, posso assegurar à comunidade esportiva que a cidade-sede do Rio de Janeiro terá o clima de normalidade necessário para a disputa da Copa das Confederações da FIFA, em 2013, e para a grande festa que será a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.
Lembrei-me da Casa da Dinda, quando os que lá viviam acreditavam em Papai Noel.
Fluminense, com merecimento
No fim de agosto deste ano, escrevi o seguinte: O Fluminense deu mais uma demonstração de força na partida contra o Goiás. Não só pela qualidade de alguns jogadores como Conca e Deco, que fazem uma dupla de primeiríssima linha auxiliada por vários ‘carregadores de piano’ que lhes permitem guardar energia exclusivamente para a criação. Percebemos que existe uma estrutura coletiva estável e equilibrada que oferece todas as condições para a boa evolução do time. Mas também existe claramente um clima extremamente positivo, amparado no coletivismo explicitado principalmente na comemoração dos três gols onde a alegria da divisão dos louros entre os participantes das jogadas criadas se mostrou com toda a intensidade. Está aí o maior valor presente no trabalho que está sendo elaborado nas Laranjeiras. E com a vantagem de que a evolução é palpável.
A briga do Fluminense naquele momento era com o Corinthians. Uma equipe formada há mais tempo, porém, sem o mesmo comprometimento com a vitória. Um fruto não da falta de disposição individual ou coletiva, e sim da limitação que sempre encontrou para ultrapassar obstáculos de boa qualidade e com vícios pouco conhecidos ou divulgados. Domingo, foi contra o extremo nervosismo de sua equipe, que quase pôs tudo a perder. Por todos esses motivos é hora de falar do técnico campeão. Trata-se de um ser humano da melhor qualidade, que mais uma vez vence a muitos que se acham melhores do que são.