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Avenida Bragança

por Vitor Knijnik — publicado 26/09/2012 17h34, última modificação 26/09/2012 17h34
Dizem que a internet é um lugar cheio de malucos. Pois, cansada do marasmo do além, Dona Maria I, a louca, resolver experimentar a web
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Dizem que a internet é um lugar cheio de malucos. Pois, cansada do marasmo do além, Dona Maria I, a louca, resolver experimentar a web

por Vitor Knijnik e Rafael Cal

Dizem que a internet é um lugar cheio de malucos. Pois, cansada do marasmo do além, vim parar aqui. Ando de um lado pro outro, mudando de humor repentinamente, como qualquer celebridade do twitter. Mas é só ouvir um oi-oi-oi que um sorriso se abre no meu rosto.

Como boa portuguesa, sempre gostei das novelas brasileiras. No entanto, criei uma identificação imediata com Avenida Brasil ao descobrir que a Família Tufão era baseada na minha família, os Bragança.Pra começo de conversa, o Divino é um Portugal made in Projac. A vida do bairro gira em torno da Família Tufão, como em Portugal girava em torno de nós. Reparem: uma gente sofrida, que trabalha muito, fala, se veste e se comporta diferente de todo o resto da cidade. É o caso de Portugal na Europa.

Aos que não se convenceram, sugiro que prestem mais atenção. O Tufão não é a cara de meu filho, o Dom João VI? Chefe da família, um parvo, com sobrepeso e traído pela mulher. Se colocassem uma coxa de frango no bolso do Murilo Benicio, ninguém duvidaria de mim. Minha nora, a megera Carlota Joaquina é, obviamente, a Carminha: sempre acima do tom, dando chiliques, odeia todo mundo e tá sempre armando um golpe. Carlota foi a Carminha da vida real, sem dúvida.

Não apenas eles estão representados em Avenida Brasil. A Ágata me faz pensar em minha bisneta Maria da Glória, desde pequena perturbando. Justiça seja feita, a menina só come, enquanto a minha bisneta foi motivo de uma guerra civil. Outro exemplo: Leleco é cópia fiel de meu marido e tio Pedro III. É, marido e tio. E não vamos falar disso, fico meio agitada. Pois bem, meu marido, tal qual o Leleco, era bem mais velho que eu e gostava de desfilar com as mocinhas pela Corte.

Além deles, posso falar de Jorginho e Ivana que são, respectivamente, meu neto Pedro e a minha filha Mariana Vitória. Pra ela, arrumei um marido rápido e despachei pra Espanha. Não é que a menina arrumou vida própria, que nem a Ivana? Já meu neto, vocês conhecem bem: o garoto foi Imperador de vocês. Jovem e bonito, mas inconstante, ligeiramente destemperado e sempre arrumando problemas. Não é o Jorginho? E o Max? Ah, esse foi inspirado no inglês Almirante Smith. O cara foi parceiro de Carlota em tentativa de golpe na região do Prata e, segundo as más línguas, também em atividades mais íntimas. Notem que Smith foi uma espécie de Max com umas comendas penduradas no ombro. A diferença é que o barco dele era da Marinha inglesa, não foi a Nina que deu.

Sobre a Nina/Rita, não creio que haja dúvidas. Quem mais poderia ser o Napoleão, criando conflitos, acabando com a paz de um reino chamado Divino? E eu? Bem, não fui representada exatamente dentro da Família Tufão. Na verdade, eu ia dizer que era uma mistura de Tessália, Murici e Suellen. Mas vocês iam dizer que estou louca. Tudo bem, vou manter o mistério. Só não achem que sou piedosa e venham me chamar de Mãe Lucinda. Ou o mesmo fim de Tiradentes os aguardará.

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