Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Aquele que não sabia desenhar

Cultura

Exposição

Aquele que não sabia desenhar

por Camila Alam — publicado 12/01/2011 17h04, última modificação 14/01/2011 15h08
O amplo universo de M. C. Escher chega ao Rio em mostra interativa

O amplo universo de M. C. Escher chega ao Rio em mostra interativa

Não é mesmo um absurdo, traçar algumas linhas e depois dizer que é uma casa?”Absurda é a ideia de que o autor dessa frase, o artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972) se considerasse um desenhista ruim, daqueles que pouco improvisam e dependem de modelos reais à mão. Em meio às suas paisagens, ladrilhos, reflexos, repetições e estudos de  perspectiva infinita, vez ou outra recorria a esses modelos, alguns de sua  própria autoria. Mas são de sua imaginação e curiosidade que saíram suas mais brilhantes composições, xilogravuras e litogravuras a sugerir enigmas, expostas a partir de 18 de janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e a partir de abril em São Paulo.

Sucesso de público em Brasília, com mais de 190 mil visitantes, a exposição O Mundo Mágico de Escher apresenta 95 gravuras originais, desenhos e instalações vindos do Museu Escher, na Holanda, aqui sob curadoria de Pieter Tjabbes. Foram cinco anos de negociação para trazer ao País as frágeis obras do artista. Dentre elas, estão paisagens pouco conhecidas, feitas na juventude, como a série Flor de Pascua (1921). São ilustrações de um folheto escrito por um amigo da Escola de Arquitetura e Artes Decorativas de Haarlem, sua primeira encomenda.

Nessa embrionária série de xilogravuras pouco detalhada e mais rústica estão temas que M. C. Escher trataria por toda a vida em sua obra. Nesta sequência de pequenas dimensões (12 cm x 9 cm) aparece a natureza, fundamental em sua obra, em meio a ladrilhos, repetições e espelhamentos. Montanhas, salamandras, plantas, sapos e formigas se fazem presente desde esse início.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 629, já nas bancas.