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Cultura

Crônica do Villas

Aquele plá!

por Alberto Villas publicado 14/08/2014 09h49
Por que será que não consigo dizer algumas das novas palavras da nossa língua?
Danielle Buma
Faça amor não faça guerra

"Faça amor, não faça guerra". Naquele tempo, as gírias eram outras

Com sessenta e quatro anos nas costas, já ouvi poucas e boas. Palavras que entraram e saíram da moda, perdi a conta. Sou do tempo em que aquela coisa mais linda, mais cheia de graça, que vinha e que passava num doce balanço a caminho do mar, aquela gata, era chamada de broto legal. Homem bonito era pão e fofoqueira, Candinha.

Na época da Jovem Guarda, eu adolescente, chegava em casa todo dia com uma novidade. O meu pai costumava ficar bravo e perguntar pros filhos:

- Mas que diabo de língua é essa que vocês estão falando?

A gente falava bicho, barra-limpa e papo-firme a torto e a direito. Achava tudo uma brasa, mora? A gente queria estar na moda e quando uma tia da gente também queria ser moderninha, a gente a chamava de “minha tia prafrentex”.

Palavras surgem, muitas ficam, outras voltam, algumas desaparecem para sempre. Ainda bem.

Tem coisa mais feia que dizer tinindo? Nunca gostei dessa palavra, mas confesso que quando ainda tinha uma juba de leão, usava demais o tal do tinindo. Os Novos Baianos, quando Baby Consuelo ainda chamava-se Baby Consuelo, não tinha cabelo azul e tinha sim o nariz arrebitado, chegaram até a fazer uma música que dizia assim:

Um dia assim
Um dia assado
Um dia assim
No duro tinindo
Tinindo trincando

Essa gente jovem de hoje não sabe que bacana, por exemplo, já foi, um dia, uma coqueluche, a última moda. Quando eu ainda usava uma camiseta escrito Make Love Not War, falava a palavra bacana sem parar. Hoje, ela voltou e está todo mundo falando de novo. Acho bacana isso.

Mas se nessa época da camiseta Make Love Not War, alguém dissesse que a chapa estava quente, queria simplesmente alertar, tomar cuidado para não se queimar na chapa do fogão.

Se alguém dissesse irado, por exemplo, era porque tinha alguém no pedaço com muita, muita raiva.

Eu sempre me adaptei a essas novas palavras. Mas hoje, sinceramente, tem algumas delas que não conseguem sair da minha boca, não entram no meu vocabulário, não passam por minha língua. Não sei porque, talvez seja o peso dos tais sessenta e quatro anos. Ou então, antipatia mesmo.

Acho que você nunca vai cruzar comigo e eu vou dizer que seu filho é fofo. Nunca vou dizer que vou dar um mimo pra ele. Caraca! Me poupe! Simples assim, nunca vou dizer que você é mó legal e que seu carro é sussa. De boa! Morri!