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Calçada da Memória

Anna Magnani, a "Mamma Roma"

por José Geraldo Couto — publicado 18/06/2011 12h23, última modificação 18/06/2011 12h23
“Ei, Federico, você acha que eu sou mulher de me esconder no banheiro por causa de uma madame qualquer?” disse Anna Magnami ao recusar papel em Noites de Cabíria. A atriz se especializou em encarnar mulheres fortes do povo
Mamma Roma

Miraculoso retrato da mulher forte. Foto: photo012/AFP

Anna Magnani (1908-1973) recusou o papel central de Noites de Cabíria, de Fellini, ao ler no roteiro uma cena em que a prostituta Cabíria se esconde no banheiro do cliente quando chega sua namorada. “Ei, Federico, você acha que eu sou mulher de me esconder no banheiro por causa de uma madame qualquer?”

O episódio ilustra bem a personalidade dessa atriz romana nascida na pobreza, de pai desconhecido, criada pela avó depois que a mãe a abandonou.

A formação de atriz se deu aos trancos na Academia de Arte Dramática de Roma e nos cabarés e teatros de variedades. Estreou no cinema no melodrama A Cega de Sorrento (Nunzio Malasomma, 1934) e logo se especializou em encarnar mulheres fortes do povo: quitandeiras, feirantes, operárias, prostitutas.

Em Teresa Venerdì (1941),de Vittorio De Sica, fez o papel autobiográfico de uma ambiciosa atriz de variedades, e quatro anos depois conquistou o mundo como a valente Pina, que enfrenta os nazistas em Roma, Cidade Aberta, de Rossellini.

Desde então, la Magnani tornou-se um símbolo de Roma e de um de seus tipos mais fortes, a mãe protetora e possessiva. É assim que ela aparece em Bellissima (1951), de Visconti, buscando fazer da filha uma atriz, e em Mamma Roma (1962), de Pasolini, em que tenta salvar o filho adolescente do crime.

Sua breve carreira em Hollywood lhe valeu o Oscar por A Rosa Tatuada (Daniel Mann, 1955), em papel escrito para ela por Tennessee Williams.
A Sidney Lumet, no set de Vidas em Fuga (1960), Anna disse: “Veja, Sidney, não sou uma atriz treinada. Ou sou um milagre ou sou um desastre”. Geralmente era um milagre.

Roma, Cidade Aberta (1945)

Durante a ocupação de Roma pelos nazistas, um líder da Resistência (Marcello Pagliero) é ajudado por um padre (Aldo Fabrizi) e um casal de noivos (Francesco Grandjacquet e Anna Magnani) a fugir da Gestapo.Filmado nas ruas, no calor da hora, o filme é marco inaugural do neorrealismo e um dos grandes clássicos do cinema.

Bellissima (1951)

Cineasta famoso está selecionando atrizes mirins para seu novo filme. Maddalena Cecconi (Anna Magnani) atende ao anúncio e leva a filhinha Maria para testes em Cinecittà. Seu marido operário (Gastone Renzelli) briga com ela pelo dinheiro gasto com professores, cabeleireiros e subornos. Belo Visconti em pegada neorrealista.

A Rosa Tatuada (1955)

Serafina (Anna Magnani), viúva de um caminhoneiro, descobre que o marido tinha uma amante.
Ao mesmo tempo conhece um novo caminhoneiro (Burt Lancaster), que tenta conquistá-la. Adaptação de Daniel Mann da peça de Tennessee Williams feita para Magnani, que não atuou no palco (em 1951) porque seu inglês ainda era ruim.