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Amizade e mistério

por Orlando Margarido — publicado 02/03/2013 12h30, última modificação 02/03/2013 12h31
O cinema do húngaro István Szabó prefere o mote intimista, propõe uma incomum aproximação entre amizade e mistério

Atrás da porta
István Szabó

O cinema do húngaro István Szabó é aquele de formato clássico, que alguns preferirão reconhecer como solene e algo antiquado. Por vezes o tom se adequa a tratamentos históricos e é bem-sucedido, como em Coronel Reidl (1985), ou em preceito semelhante, de época, caso de Adorável Júlia (2004), seu último filme a chegar aqui. É nesse escopo que se deve procurar ver Atrás da Porta, a partir de sexta 1º nos cinemas. O drama também remete ao passado, mas em vez de  apoiar-se em um painel dos anos 1960, Szabó prefere o mote intimista.  Com alguma indulgência ao jeitão grave da narrativa, pode-se acompanhar uma incomum aproximação entre amizade e mistério.

Quem congrega essas duas vertentes é o par central do filme, a escritora Magda (Martina Gedeck) e a reclusa Emerenc (Helen Mirren). Quando a primeira se muda com o marido para um apartamento contrata a outra para ser sua empregada e logo percebe suas excentricidades. Emerenc vive solitária em um cômodo que mantém trancado. Não quer interferências em sua vida, mas interfere no cotidiano da patroa a ponto de virar o jogo habitual das relações de poder. Temos uma apreciação sutil no confronto de liberdade com o contexto trabalhista sob o domínio do comunismo. Mas Szabó, baseado em romance assinado por Magda Szabó, sem ligação com o diretor, não aprofunda esse sentido maior. Segue em uma resolução emocional, sem surpresas.

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