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Calçada da memória

Ambição e glória

por José Geraldo Couto — publicado 12/11/2012 13h40, última modificação 12/11/2012 13h40
Sam Spiegel só admitia um cinema superlativo
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Sam Spiegel só admitia um cinema superlativo

Filmes pequenos são para os fracos, poderia dizer o produtor Sam Spiegel (1901-1985). Seu ideal de cinema era superlativo: tema grandioso, tela larga, orçamento milionário, elenco estelar. Nem sempre juntava tudo isso, mas, quando conseguia, o resultado eram filmes como Sindicato de Ladrões (Kazan, 1954), A Ponte do Rio Kwai (David Lean, 1957) e Lawrence da Arábia (Lean, 1962), só para citar os três que lhe deram o Oscar.

Quando chegou aos EUA, em 1935, Spiegel trazia uma bagagem cultural e humana considerável. Nascido em Jaroslav, na Polônia, estudou na Universidade de Viena, casou-se aos 19 anos, morou em Jerusalém e na Holanda e produziu na Alemanha versões francesas e alemãs de filmes da Universal. Era fluente em seis línguas. Em 1933, com a ascensão de Hitler, fugiu de Berlim.

Em Hollywood, produziu seu primeiro filme em 1942 (Seis Destinos, de Julien Duvivier). Nessa época assinava
-S. P. Eagle (Águia), e dizem que o pseudônimo casava com sua personalidade altiva e predatória. Baixo, irrequieto, sempre mastigando um charuto, encarnava o clichê do produtor mandão e perfeccionista.

Nos anos 1950 e 1960 atingiu o auge com uma sequência impressionante de êxitos: O Cúmplice das Sombras (Joseph Losey), Uma Aventura na África (John Huston), A Ponte do Rio Kwai, De Repente, no Último Verão (J. L. Mankiewicz), Lawrence da Arábia, Caçada Humana (Arthur Penn).

Casado três vezes e mulherengo contumaz, consta que submetia atrizes ao famigerado “teste do sofá”. Nunca escondeu sua ambição: “Hei de ser muito rico e famoso ou morrer como um cão na sarjeta”, declarou na juventude.

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Uma Aventura na África (1952)
Em 1914, numa região da África atingida pela guerra, Rose Sayer (Katharine Hepburn), irmã de um missionário morto pelos alemães, vai parar no barco periclitante de um capitão beberrão (Humphrey Bogart), com quem estabelece uma relação de amor e ódio. Deliciosa aventura romântica de Huston.

Sindicato de Ladrões (1954)
Apoiado pela namorada (Eva Marie Saint), o estivador e ex-pugilista Terry Malloy (Marlon Brando) enfrenta o chefão mafioso do Sindicato das Docas (Lee J. Cobb). Obra-prima de Elia Kazan e ponto alto da carreira de Brando, com
a célebre cena de seu diálogo com o irmão (Rod Steiger) num carro.

Caçada Humana (1966)
Numa cidade do Texas, um bandido (Robert Redford) escapa da prisão e põe o lugar em polvorosa. O barão do petróleo (E. G. Marshall), cujo filho é amante da mulher do fugitivo (Jane Fonda), quer vê-lo morto. Mas o xerife (Marlon Brando) quer prendê-lo vivo. Faroeste moderno de Arthur Penn, com carros e motos.