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Museus do Rio

Amanhã, sim. E ontem?

por Edgard Catoira — publicado 06/11/2011 09h32, última modificação 06/11/2011 09h32
'É revoltante assistirmos a tanto empenho para a construção do Museu do Amanhã, projetado pelo arquiteto Santiago Calatrava, e tanto desdém para o que já existe´, diz jornalista
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'É revoltante vermos tanto empenho na construção do Museu do Amanhã, projetado por Santiago Calatrava, e tanto desdém para o que já existe´, diz jornalista

Na última terça feira 1, o prefeito do Rio, acompanhado do presidente da Fundação Roberto Marinho, da diretora de Investimentos da Caixa Econômica Federal e do presidente do Banco Santander, celebrou o início das obras do Museu do Amanhã,  no Pier Mauá. Foi realizada a primeira concretagem das fundações do edifício projetado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava.

O empreendimento, gerenciado pela Fundação Roberto Marinho, custará cerca de R$ 250 milhões, a maior parte garantida por títulos criados pelo projeto Porto Maravilha - todos comprados pela Caixa Econômica Federal. O Banco Santander promete patrocinar e manter o Museu até 2023.

Com um time desses escalado, a possibilidade de êxito do Museu do Amanhã é muito grande, mas não dá para deixarmos de olhar para os outros equipamentos culturais da cidade, os “museus de ontem”, inteiramente negligenciados. E por que não mencionar também a insepulta Cidade da Música, que depois de consumir centenas de milhões de reais de dinheiro público nem precisa de um fantasma para assombrá-la? A forma como foi executada é assombrosa por si só.

Um breve passeio pelos museus “de ontem” do Rio – alguns com um belo e importante acervo – é suficiente para constatarmos a falta da boa gestão que se imagina para os museus de amanhã. O Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu de Arte Moderna e o Museu Histórico Nacional, por exemplo, não têm livrarias, cafeterias, novas mídias de apoio ou o marketing promocional anunciados como fórmula de sucesso para os museus de amanhã.

Daí, percebemos que nunca veremos a política do Bota Abaixo como algo do passado. A tônica é sempre a mesma: destruir ou esquecer o que existe, para concretar novos edifícios, novos monumentos e descerrar novas placas. Afinal, o que já existe, já existe, não é novidade, não rende as maiores manchetes dos noticiários nem edifica as autoridades, tal como os marqueteiros recomendam.

É revoltante assistirmos a tanto empenho para a construção de um novo museu para a cidade e tanto desdém para com o que já existe. E não vale o argumento deque  isso é federal, aquilo estadual e aquilo lá municipal. Todos estão na Cidade do Rio de Janeiro, maravilhosa há muito tempo. No entanto, ainda muito carente de uma administração mais zelosa.