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Cultura

Exposição

Alguns passos à frente

por Flávia Fontes de Oliveira — publicado 09/11/2011 17h59, última modificação 09/11/2011 18h57
Ocupação mostra imagens raras e pioneiras do Stagum
Ballet Stagium_Diadorim, 1972_fotoMAIOR2 Emidio Luisi

Ocupação mostra imagens raras e pioneiras do Stagium. Foto: Emidio Luisi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DANÇA SEM FRONTEIRAS

Ocupação Ballet Stagium
De 10 de novembro a 22 de janeiro
Terça a sexta, das 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados,
das 11h às 20h
Itaú Cultural – São Paulo

No início da década de 1970, seguindo o conselho do ator Paulo Autran (1922-2007), Décio Otero e Marika Gidali, fundadores do Ballet Stagium, em 1971, levaram a dança para todos
os cantos do País. Quando não havia teatros, o grupo montava palcos em praças, escolas, clubes e ginásios para mostrar seu trabalho em cidades de todos os portes. Muitas dessas andanças pelo Brasil ganharam registro na Super 8 de Edgar Duprat, filho de Marika e enteado de Décio, à época ainda adolescente. Parte desse material compõe a Ocupação Ballet Stagium,
no Itaú Cultural, em São Paulo, em cartaz até o fim de janeiro, exposição que celebra os 40 anos da companhia.

“Desde o início do Stagium, Décio Otero já se preocupava com o registro em vídeo do que estava sendo feito”, diz Duprat, ex-bailarino (hoje produtor e fomentador) do Stagium e um dos curadores da Ocupação. Nas viagens, ele conta, filmou também outros momentos interessantes, como os camarins, o olhar do público assistindo aos espetáculos, as aulas dos bailarinos e os bastidores. Na exposição, montada com 45 monitores espalhados pelas instalações, que reproduzem espaços como a sala de aula ou o camarim, o público terá acesso a um material raro e curioso, como a viagem ao Xingu, na Amazônia, em 1977, quando a companhia se apresentou para as comunidades indígenas, e também imagens da Barca da Cultura, projeto de Paschoal Carlos Magno (1906-1980) que levava espetáculos culturais (não apenas de dança) à população ribeirinha do Rio São Francisco.

Ao montar o evento, Duprat queria homenagear a mãe e o padrasto por desbravar não apenas o Brasil, mas a dança paulista, quando o cenário no estado era desanimador para essa arte. Décio e Marika, ao criarem o Ballet Stagium, dialogaram com as condições nacionais e suas peças mostraram sempre alguma característica brasileira como em Diadorim (1972), Quebradas do Mundaréu (1976), Missa dos Quilombos (1979), entre outras cerca de 70 coreografias, quase todas assinadas por Otero. O casal inovou ao olhar para o Brasil e também ao usar a dança como ferramenta socioeducativa muito antes dos projetos sociais comuns hoje. Na década de 1990, por exemplo, criaram o Projeto Joaninha para sensibilizar professores e receberam prêmios pelo trabalho na antiga Febem. Marika diz que a Ocupação é uma forma de a memória permanecer e de entender o trabalho de resistência de uma companhia para a qual cada dia é um desafio.