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Refogado

Algumas indicações

por Marcio Alemão publicado 08/04/2012 08h16, última modificação 06/06/2015 18h26
Uma degustação de 13 Châteux de Boudeaux, harmonizados com o menu. Duro é depois voltar à realidade
refogado

Pesquisas que aprovam alimentos ruins talvez sejam respondidas por apreciadores de lasanha congelada e fritas sabor salame

Quem sabe você ainda consiga. Ligue para 11-3372-3401 e faça a sua reserva. Que eu me lembre, nunca aconteceu por estas bandas um encontro desse tamanho e importância. Serão 13 Châteaux de Bordeux reunidos em um único jantar. O mais importante: não só as garrafas, mas seus donos e seus mentores, os enólogos, estarão presentes e vão apresentar suas criações. Serão degustados 14 vinhos.

No convite me contam que alguns desses vinhos foram escolhidos a partir do menu, para que a harmonização fosse impecável. Quem organizou a vinda da rapaziada de Bordeaux foi o incansável Ciro Lilla, da importadora Mistral. E o jantar acontece no elegante La Tambouille.

Eu não vou mencionar toda a lista, mas saiba que estarão na sua mesa, caso consiga fazer a reserva, Chateau Lynch Bages 2006, Lagrange 2006, Pichon-Longueville Comtesse de Lalande 2003, Leoville-Barton 1988, Kirwan 2000 e outros nove rótulos sensacionais.

O problema que uma noite como essa nos traz é o dia seguinte. Melhor dizendo, o vinho do dia seguinte. Eu tenho esse tipo de problema. Entro em depressão e começo a acreditar que essa história do vinho para o dia a dia ou é papo de alcoólatra ou de vendedor do produto. Depois de uma noite como essa que vai rolar na terça 6, aquele malbequezinho bem resolvido ali perto da cordilheira deixa de ser vinho e transforma-se em consolo.

Acredito no que Ciro faz e diz, e ele diz no tal convite que mencionei que vários desses vinhos são raros e estarão por aqui só para o evento. Por isso, os lugares não serão muitos e, a essa altura, temo que as mesas de pista já foram reservadas.

No tema degustação, há pouco, caminhando com minha filha pela rua, chupávamos picolés Rochinha. Faz calor nesta terra. Fico extremamente tentado a encher páginas falando sobre o calor e o quanto não suporto qualquer temperatura superior a 23 graus. Na casa dos 30 eu consigo imaginar como será o fim do mundo, com humanos se decompondo, suados, fedorentos, gordurosos, usando camiseta regata, exibindo axilas peludas e esbarrando umas nas outras... Argh! Peço desculpas. Como disse, o tema canícula me possui quando o menciono.

Sobre degustação e o picolé Rochinha. Provei um de abacate e é ruim. Provei um de jabuticaba e é ruim. Daí começou uma conversa. Quem teria gostado? Duvido que o sorvete tenha chegado às geladeiras sem uma boa pesquisa. E por que será que eu e minha filha, pessoas com bom paladar e que adoram abacate, achamos o sorvete ruim?

E por que idem idem idem também achamos o de jabuticaba ruim? Ainda mais um mistério: o de limão é uma delícia. O de melancia idem.

Talvez porque as pessoas que respondem a essas pesquisas sejam as mesmas que dizem que lasanhas e pizzas congeladas são deliciosas e que batatas fritas sabor salame com cheddar não podem faltar na mesa do novo brasileiro, que gasta muito em bobagem e é feliz.

Por falar em bobagem, recomendo vivamente um filme muito divertido que concorreu ao Oscar na categoria roteiro original e teve uma de suas atrizes também entre as indicadas para coadjuvante: Missão Madrinha de Casamento. 305 vezes mais engraçado que o blockbuster Se Beber Não Case, mas, certamente, não cairá no gosto popular. Acho que esse último é mais indicado para apreciadores de salame sabor batata com cheddar. Pois, no tal filme, as moças decidem ir comer em um lugar diferente e vão parar em um restaurante brasileiro, uma churrascaria rodízio, cujo garçom se apresenta em espanhol, vestido de gaúcho, com cara de mexicano. E elas passam muito mal. Sobre isso falo no próximo Refô.