tamanho da fonte minímo médio máximo

Cultura

José Geraldo Couto

Calçada da Memória

01.03.2012 16:25

Alexandre Trauner, o construtor de Paris

Alexandre Trauner (1906-1993) não é um nome conhecido do grande público. Mas a imagem que o cinema construiu de Paris ao longo das décadas deve muito a esse judeu francês de origem húngara. Depois de estudar pintura na Escola de Belas Artes de Budapeste, Trauner se radicou em Paris, em 1929, e logo se tornou assistente do cenógrafo Lazare Meerson, com quem trabalhou em filmes como A Nós, a Liberdade (1931), de René Clair, e Quermesse Heroica (1935), de Jacques Feyder. Fez também, sem crédito, a direção de arte do primeiro longa de Buñuel, A Idade do Ouro (1930).

A arte no olhar

Em 1937, com Família Exótica, Trauner deu início à sua profícua colaboração com o cineasta Marcel Carné, para o qual fez a direção de arte de clássicos como Cais das Sombras, Trágico Amanhecer, Os Visitantes da Noite e O Boulevard do Crime. Nos dois últimos, rodados durante a ocupação alemã, trabalhou clandestino.

Na penúria do pós-Guerra, com a falta de recursos dos estúdios franceses, Trauner ganhou o mundo, tornando-se um dos maiores diretores de arte do cinema. Trabalhou com Billy Wilder em sete filmes, entre eles Se Meu Apartamento Falasse (1960), que lhe deu o Oscar, e também com Orson Welles (Othello), Jules Dassin (Rififi), John Huston (O Homem Que Queria Ser Rei) e Joseph Losey (Don Giovanni).

Nos anos 1980, recriou a Paris subterrânea do “néon-realista” Subway, de Luc Besson, e a dos clubes de jazz de Por Volta da Meia-Noite, de Bertrand Tavernier. Seu grande segredo, mesmo nos cenários fantásticos ou monumentais, era nunca perder a dimensão humana.

DVDs
O Boulevard do Crime (1945)
O amor infeliz de um mímico (Jean-Louis Barrault) por uma atriz e sirigaita (Arletty) serve
de fio condutor para esta exuberante reconstituição da vida noturna e do submundo da Paris de 1828, com direção de Carné e roteiro de Jacques Prévert. A recriação do Boulevard du  Temple é um dos grandes feitos de Trauner.

Othello (1952)
A pungente versão de Orson Welles para a tragédia de Shakespeare sobre o herói militar  mouro Othello (Welles) e seu ciúme da esposa, a nobre Desdêmona (Suzanne Cloutier) foi em grande parte um tour de force de cenografia. Realizado com poucos recursos e muitas  interrupções, teve filmagens no Marrocos, em Veneza e em Roma.

Irma la Douce (1963)
Policial caxias (Jack Lemmon) é transferido para a região de prostituição de Paris e perturba
a convivência entre o meretrício e a polícia. Demitido, acaba se envolvendo com uma  prostituta (Shirley MacLaine), de quem se torna cafetão. Comédia sarcástica de Wilder numa Paris construída por Trauner nos estúdios Goldwyn.

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

Deixe um comentário

 máximo de caracteres

20mai

A felicidade no abismo

Notável talento de sua geração, João Miguel fala sobre o ofício de atuar

19mai

Pela antiga vocação

Enquanto a esquerda parece incapaz de lutar contra o que é conservador, Vladimir Safatle crê na a luta pela igualdade social

19mai

O horror realista

O documentário Roman Polanski – A Film Memoir expõe a vida do cineasta, que assemelha-se a uma trama de suspense e horror psicológico já explorada por ele em alguns filmes

17mai

Cinema brasileiro recebe homenagem

Evento exibirá documentário, curtas-metragens e clássicos do cinema nacional