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Cultura

Festival de Veneza

Al Pacino e James Franco… na direção

por Orlando Margarido — publicado 09/09/2011 16h04, última modificação 12/09/2011 12h01
Os atores apresentam seus trabalhos em programação do festival. Pacino exibe adaptação de Salome, de Oscar Wilde, e Franco apresenta biografia de Sal Mineo

WILDE SALOME
Direção de Al Pacino

Uma das faces mais interessantes que podemos usufruir de Al Pacino, impossibilitada a princípio à do homem de teatro atuante nos Estados Unidos, é a de diretor. Enquanto a de ator rescende a certo cansaço e tom histriônico, a de modesto realizador de três títulos busca a reflexão do próprio ofício, a pesquisa e o risco. É o caso deste terceiro filme Wilde Salome, apresentado pelo americano em programação paralela do 68º Festival de Veneza, evento que também o homenageou com o Prêmio Glória ao Cineasta.

A origem dessa visita de Pacino à Salome de Oscar Wilde comprova a cumplicidade de sua imersão em projetos semelhantes, como Ricardo III – Ensaio, em 1996. Na conversa com os jornalistas, o intérprete comentou que a confusão por não saber como determinar uma história em relação ao livro o levou a filmar o próprio processo de criação.

Assim, Pacino é o realizador em busca de informações sobre Wilde e às voltas com as dificuldades de produção, como dinheiro, além de ensaios com o elenco. Deste, além dele como Herodes, fazem parte Jessica Chastain, como a protagonista. Ficção que se mescla ao documental, Wilde Salome confronta o artista Pacino com os limites de dono de seus domínios, ironia com aquele rei da Judeia. “Achei que ao conectar minhas aspirações às de Wilde, eu teria revelações sobre ele, sua obra e sobre mim mesmo. Ficou confuso, eu sei, mas é assim em colagens, o tipo de coisa que atores fazem”, refletiu, com rara autocrítica entre a classe. Mais ainda, arrepende-se de alguns personagens que abraçou e pretende um futuro mais seletivo. Filosofia que pretende seguir, garante, enquanto não volta o sábio personagem diretor.

SAL
Direção de James Franco

Muitos caminhos levam James Franco a Nicholas Ray, um dos maiores independentes entre os cineastas americanos, que completaria centenário de nascimento em agosto. Mas o mais curto e conhecido leva o nome de uma obsessão para ele. James Dean já foi interpretado pelo ator em um filme biográfico para tevê. “Dean me levou para mais próximo de Ray e agora estou aqui, num honroso convite para falar sobre o cineasta, que não mereço”, pontuou no início da semana no 68º Festival de Cinema de Veneza.

Franco participou de um painel de discussão sobre o diretor, ao lado da quarta mulher deste, Susan, e de um dos filhos do cineasta. Estava presente também Douglas Gordon, artista plástico. Isso porque, com ele, Franco criou uma instalação na Bienal de Veneza intitulada Rebel, título que faz referência ao original de Juventude Transviada, clássico de Ray de 1955. “Este filme define para mim certa América que perdemos, de bravos conquistadores e da qual Ray foi um dos mais críticos observadores. Não vejo mais independência no sentido artístico como a dele.”

Sem esconder a paixão por seu ídolo, Franco terminou por chegar a Sal Mineo, outro ator do filme de Ray morto de forma trágica. Apresentou também em Veneza Sal, filme em formato ficcional sobre o intérprete que toca em sua carreira irregular e a dificuldade em lidar com a própria homossexualidade. O papel é de Val Lauren, enquanto Franco reserva para si uma aparição descartável como o diretor teatral Milton Katselas. Quanto a Ray, que mereceu a exibição no festival italiano de seu último e incompleto filme We Can’t Go Home Again, um documentário em processo por Philip Kaufman deve restabelecer sua importância.