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A pressão de se estar vivo

por Camila Alam — publicado 17/08/2011 18h15, última modificação 17/08/2011 19h58
A Árvore da Vida e Melancolia são dois filmes que retratam a existência humana e que tocam o espectador cada um à sua maneira
Árvore da Vida

O longa narra a história de uma família americana, na década de 50, encabeçada por um pai rigoroso (Pitt), uma mãe extremamente amorosa (Jessica Chastain), e seus três filhos

Em cartaz nos cinemas neste mês de agosto estão dois grandes filmes, bastante esperados pelo público desde suas exibições no Festival de Cannes deste ano. A Árvore da Vida, de Terrence Malick, e Melancolia, de Lars Von Trier, tocam o espectador de diferentes maneiras, mas me parecem explorar a mesma questão, uma razão para abraçar a vida.

Vencedor da Palma de Ouro deste ano no mesmo festival, A Árvore da Vida existiu durante anos somente na imaginação do diretor. Parece de fato confuso tentar explicar um longa-metragem que pouco define seu enredo e remete à origem do mundo por meio de imagens abstratas.  De cara, sabemos pouco deste personagem central (interpretado na vida adulta por Sean Pean), que quando menino perde um dos irmãos e parece atormentado por estas e outras memórias adolescentes. Somos levados então à sua infância, a convivência com a doce e sutil mãe (Jessica Chastain), a companhia dos irmãos, a truculência do pai (Brad Pitt).

São destas memórias, por vezes encantadoras ou perversas,  que brotam significado infinito para a palavra Vida. São mescladas com imagens estranhas e familiares de explosões, marés, vendavais. A criação do mundo. Malick foi audacioso em sua visão do Big Bang, tão abstrata quanto a própria existência. Por todo o tempo, permeia aquela sensação de estarmos embaixo da água, quando os sons fazem sentido, mas não fazem. São ruídos abafados, como um mergulho no fundo do mar ou útero de mãe. Não à toda, ao final da sessão em Cannes, foram ouvidos vaias e aplausos. Mas não é difícil escolher um lado quando há entrega por parte do espectador.

Em Melancolia, há mais repulsa. Nos primeiros minutos do filme, Von Trier faz uso novamente de cenas em câmera lentíssima, que vão fazer sentido ao espectador ao longo da trama. Um planeta fictício, chamado Melancolia, se aproxima da terra ainda sob dúvida de colisão. Um casamento desconexo toma os primeiros minutos e revela o caráter curioso dos personagens. O diretor sugeriu na coletiva de imprensa em Cannes que para sua atriz principal, Kirsten Dunst, não era muito difícil interpretar uma depressiva – ou algo do tipo. De fato, sua personagem não tem cor ou brilho. Olha a vida com superioridade, mas sua insignificância é a maior.

Sob estes dois longas paira uma presença estranha da morte e também um silêncio um tanto perturbador.  Maquiados com uma paleta pastel cinzenta. São experiências visuais que nos fazem, sobretudo, sentir a pressão de estar vivo.