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Cultura

Calçada da Memória

A outra face de Bergman

por José Geraldo Couto — publicado 25/10/2011 09h33, última modificação 27/10/2011 11h12
Bibi Andersson atuou em 13 filmes de Ingmar Bergman. No universo atormentado do diretor sueco, ela representou quase sempre um contraponto de frescor e inocência
morangos

Morangos Silvestres (1957)

É impossível pensar em Bibi Andersson sem lembrar de Ingmar Bergman. No universo atormentado do diretor sueco, repleto de rostos angustiados e cheios de culpa, ela representou quase sempre um contraponto de frescor e inocência.

Atriz consistente, formada no célebre Teatro Real de Arte Dramática de Estocolmo, Bibi teve seu primeiro contato com Bergman em 1951, aos 15 anos, quando atuou num comercial de detergente dirigido por ele. No ano seguinte, por conta de uma breve relação com o ator Gösta Tarserus, 31 anos mais velho, ela fez seu primeiro aborto.

Atuou em 13 filmes de Bergman, entre eles algumas obras-primas: O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, No Limiar da Vida, O Rosto, Persona. Embora já tivesse sido premiada em Cannes
(por No Limiar da Vida) e em Berlim (por A Amante Sueca, de Vilgot Sjöman), foi o impacto de Persona (1966) que abriu para Bibi uma carreira internacional, nunca plenamente desenvolvida.

Atuou sob a direção de Ralph Nelson (no faroeste Duelo em Diablo), John Huston (no thriller de espionagem Carta ao Kremlin) e Robert Altman (na parábola futurista Quinteto), contracenou com Sidney Poitier, Paul Newman e Vittorio Gassman, colheu prêmios e elogios mundo afora, mas não conseguiu, ou nem quis, libertar-se da sombra
de Bergman, com quem trabalhou também na tevê e no teatro.

Ela própria diretora teatral de talento, tem atuado em filmes, peças e minisséries suecas e vivido discretamente com seu terceiro marido na sua Estocolmo natal. Aos 75 anos, segue bela e ativa. Sua última atuação internacional foi há dois anos, em La Escarcha (A Geada), do diretor catalão Ferran Audí.

DVDs

Morangos Silvestres (1957)

O doutor Isak Borg (Victor Sjöström), médico e professor aposentado, viaja de carro a Lund para receber uma homenagem. No caminho encontra jovens caronistas, entre eles Sara (Bibi Andersson), que lhe lembra um amor de juventude. Um dos filmes mais belos de Bergman, quase um tratado sobre o tempo e a velhice.

O Olho do Diabo (1960)

Nesta deliciosa e atípica comédia de Bergman, o Diabo (Stig Järrel) acorda um dia com um terçol, sinal de que resta no mundo uma mulher casta. Descobre que ela é Britt-Marie (Bibi Andersson), a filha de um sacerdote de província, e manda Don Juan (Jarl Kulle) de volta à terra para seduzi-la antes que se case com seu noivo.

A Festa de Babette (1987)

Na Dinamarca, século XIX, duas solteironas vivem com o pai, um austero pastor luterano, e acolhem uma francesa, Babette (Stéphane Audran), que se torna sua criada. Anos depois, ao receber uma herança, Babette faz um banquete suntuoso de agradecimento.
Bibi Andersson tem um papel pequeno, de “mulher sueca”.