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The Observer

A nova tentação de Scorsese

por The Observer — publicado 26/01/2011 07h20, última modificação 28/01/2011 14h35
Após obter sucesso na televisão com Boardwalk Empire, o diretor adere ao formato 3D em fábula

Após obter sucesso na televisão com Boardwalk Empire, o diretor adere ao formato 3D em fábula

Eu sempre gostei de 3D”, declara Martin Scorsese com os olhos castanhos brilhando atrás dos tradicionais óculos de armação preta que parecem maiores na vida real. “Quero dizer, estamos sentados aqui em 3D. Nós somos em 3D. Enxergamos em 3D. Então, por que não?” Ele sorri como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo, com entusiasmo juvenil, apesar de seu cabelo grisalho-prata bem penteado lhe dar um aspecto de autoridade estatal aos 68 anos.

Criado no Queens e no Lower East Side de Manhattan, filho de imigrantes sicilianos de segunda geração, uma costureira e um passador de roupas, Scorsese cresceu durante a primeira onda do 3D, que produziu títulos como Museu de Cera (1953), O Monstro da Lagoa Negra (1954) e Disque M para Matar (1954), este de Hitchcock. Uma criança um tanto doentia e um coroinha esporádico, ele devorou filmes desde jovem, declarando certa vez que “filmes e religião” foram toda a sua vida. “Isso e mais nada.”

No início da década de 1970, aprendiz sob o diretor Roger Corman, Scorsese mudou o cinema popular ao dirigir filmes ousados como Caminhos Perigosos e TaxiDriver, inspirados tanto pela Nouvelle Vague francesa e o neorrealismo italiano como pelas grandes tradições dos cinemas britânico e americano. Embora seus filmes mais recentes tenham sido muito mais rentáveis (Os Infiltrados, O Aviador e A Ilha do Medo superaram a marca de US$ 100 milhões nas bilheterias americanas), aqueles primeiros clássicos permanecem as obras definitivas de Scorsese, juntamente com Touro Indomável, O Rei da Comédia e Os Bons Companheiros, os quais exibiram também um extraordinário relacionamento criativo com oprotagonista, Robert De Niro.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 631, já nas bancas.