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Cultura

Exposição

A fotografia de Diane Arbus como arte

por Rosane Pavam publicado 31/07/2011 10h45, última modificação 02/08/2011 09h55
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro exibe, até 9 de outubro, entre 134 peças da coleção Joaquim Paiva, retratos da artista americana. Por Rosane Pavam
A fotografia de Diane Arbus como arte

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro exibe, até 9 de outubro, entre 134 peças da coleção Joaquim Paiva, retratos da artista americana. Por Rosane Pavam

Fotografias da Coleção Joaquim Paiva

Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro

Até 9 de outubro

Três obras da americana Diane Arbus (1923-1971) nesta mostra de 134 peças da coleção Joaquim Paiva, em comodato com o MAM do Rio há seis anos, já seriam suficientes para extasiar quem observa a fotografia como arte. Diane era rica e passou pela depressão dos anos 30 sem a sentir. Talvez por isso, seis anos depois de se ter encantado com uma máquina de 35 mm, em 1962, tenha mudado o rumo. Separada do marido, observou o outsider. E escreveu diários.

O escritor Philip Roth percebeu que ela pegava no ar um desarranjo social da sociedade americana. Susan Sontag, que nunca vacilou ao ridicularizar a vida média em seu país, horrorizou-se com Diane antes que a artista se matasse, aos 48 anos. Disse que a fotógrafa traíra o espírito da nação ao mostrar um “show de horrores, uma vila idiota na qual os aliens eram isolados sem esperança”. Sem desejar, ao criticar Diane, Sontag retratou a América enovelada com o Vietnã e com o Watergate.

Algo precursora do que faria Nan Goldin nos anos seguintes, Diane escreveu: “Uma fotografia é um segredo sobre um segredo. Quanto mais ela conta, menos se sabe.” Seus personagens orgulham-se, olham longe, raciocinam sós. Ansel Adams, presente na mostra, também cultiva o mistério. Grete Stern, o artifício do sonho. São 69 artistas estrangeiros desta coleção sobre os quais, isoladamente, seria um ato cultural promover individuais.