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Cultura

Calçada da Memória

A estrela lapidada

por José Geraldo Couto — publicado 13/09/2011 13h21, última modificação 13/09/2011 13h21
Jennifer Jones viveu nas telas paixões intensas, não raro ilícitas ou adúlteras. Foi Madame Bovary e, em Suplício de uma Saudade, uma médica que tem um romance com um jornalista americano casado

A estrela lapidada Jennifer Jones (1919-2009) tinha 22 anos e ainda se chamava Phyllis Walker quando atraiu a atenção do produtor David O. Selznick, em 1941. Ela acabara de fazer um teste desastroso para o filme Claudia, de Edmund Goulding, e chorava copiosamente. Selznick a viu assim, bela e frágil, e encantou-se irremediavelmente. Resolveu fazer dela uma estrela.

Dois anos depois, já rebatizada de Jennifer Jones e devidamente moldada por Selznick, ela conquistaria o Oscar por sua primeira atuação como protagonista, em A Canção de Bernadette, de Henry King. No dia seguinte à cerimônia, em fevereiro de 1944, Jennifer anunciava seu divórcio do ator Robert Walker, com o qual tinha dois filhos. O casamento de Selznick também entrou em crise. O produtor e sua estrela acabaram casando-se em 1949.

Dona de uma beleza agreste e de um estilo de atuação marcado mais pela intensidade do que pela técnica, Jennifer subverteu radicalmente sua imagem inicial de recatada ao encarnar, em Duelo ao Sol (de King Vidor, 1946), uma mestiça sensual que se apaixona por um cafajeste (Gregory Peck).

Desde então viveu nas telas paixões intensas, não raro ilícitas ou adúlteras. Foi, por exemplo, Madame Bovary, na versão de Vincente Minnelli, e uma médica chinesa que tem um romance com um jornalista americano casado em Suplício de uma Saudade (Henry King, 1955).

Numa crise de depressão, Jennifer Jones tentou o suicídio jogando-se de um penhasco em 1967, dois anos depois da morte de Selznick. A única filha do casal matou-se saltando de um 20º andar em 76. Definitivamente, a vida da estrela não foi um mar de rosas.

DVDs
A Canção de Bernadette (1953)
Em 1858, na França, a camponesa Bernadette Soubirous (Jennifer Jones) presencia aparições de uma “linda dama”, que se acredita ser a Virgem Maria. As autoridades consideram a menina louca e a Igreja a desautoriza. Drama biográfico de Henry King que deu o Oscar à atriz (indicada outras quatro vezes).

Duelo ao Sol (1946)
Quando seu pai morre, a mestiça Pearl Chávez (Jennifer Jones) vai morar com a antiga amante dele e fica dividida entre os dois filhos desta, um bom (Joseph Cotten) e o outro mau (Gregory Peck). A relação de amor e ódio entre ela e este último conflui para um duelo final no deserto, neste tórrido faroeste de King Vidor.

Perdição por Amor (1952)
Nos anos 1890, Carrie (Jennifer Jones), moça ingênua do interior, chega a Chicago e torna-se, sucessivamente, amante de um comerciante (Eddie Albert) e do gerente casado de um restaurante (Laurence Olivier). Para atuar nesse melodrama de William Wyler, a atriz usou cintas para esconder a gravidez e acabou perdendo o bebê.