Cultura

Calçada da Memória

A estrela desce

por José Geraldo Couto — publicado 08/10/2011 07h00, última modificação 08/10/2011 15h27
Por trás da fachada sorridente dos musicais juvenis de Judy Garland, gestava-se um vulcão de problemas pessoais

Se houve uma vítima do star system hollywoodiano, seu nome é Judy Garland (1922-1969). Menina-prodígio, filha caçula de artistas de vaudeville, desde muito pequena excursionou pelos EUA com a mãe, megera do show business que a levou aos 12 anos para cantar e dançar diante do chefão da MGM, Louis B. Mayer.

Encantado pelo talento da garota, Mayer firmou com ela um contrato de longo prazo que a tornaria uma das principais estrelas do estúdio. Marcos, dessa primeira fase, são o papel de Dorothy em O Mágico de Oz (1939) e as parcerias com Mickey Rooney em filmes como Sangue de Artista e Calouros na Broadway.

Por trás da fachada sorridente desses musicais juvenis, gestava-se um vulcão de problemas pessoais. Para manter o peso e para aguentar o tranco do dia a dia estafante do estúdio, Judy passou a tomar anfetaminas, estimulantes e tranquilizantes, iniciando um vício que a levaria à morte por overdose aos 47 anos.

Para agravar a instabilidade emocional, que a levava a crescentes crises de histeria e pânico, sua vida amorosa era um turbilhão. Casou-se aos 19 anos com o band leader David Rose, substituído três anos depois pelo cineasta Vincente Minnelli. Ao todo, foram seis casamentos, sem contar os amantes eventuais, como o diretor Joseph Mankiewicz e o ator James Mason.

Demitida da MGM em 1949, sua carreira foi ladeira abaixo, com raros pontos luminosos a partir daí, como Nasce uma Estrela (1954).

“Se sou uma lenda, por que estou tão só?”, perguntava-se Judy no fim da vida. E ela mesma respondia: “Hollywood é um lugar estranho se você está na pior. Todo mundo pensa que é contagioso”.

DVDs

O Mágico de Oz (1939)

Este musical dirigido por Victor Fleming e baseado em histórias
de L. Frank Brown é um dos maiores sucessos do cinema. A menina Dorothy (Garland) é levada por um furacão a uma terra encantada, onde enfrenta a Bruxa Má do Oeste e, em companhia de um Espantalho, um Leão Covarde e um Homem de Lata, busca o Mágico de Oz.

Agora Seremos
Felizes (1944)

Em St. Louis, em 1903, a adolescente Esther Smith (Garland) apaixona-se pelo vizinho (Tom Drake), ao mesmo tempo em que a mãe anuncia a mudança da família para Nova York. Este musical foi a primeira parceria de Judy Garland com o diretor Vincente Minnelli, com quem se casaria no ano seguinte.

Minha Esperança É Você (1962)

A ex-pianista Jean Hansen (Garland), contratada como professora de música de um internato para excepcionais, apega-se a um aluno autista abandonado pela família e entra em atrito com o diretor (Burt Lancaster). Poderoso drama de John Cassavetes, foi o penúltimo filme estrelado pela atriz.