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A blindagem do cangaceiro

por Celso Calheiros, de Recife — publicado 12/10/2010 15h04, última modificação 15/10/2010 15h08
Historiador liga a estética sertaneja às crenças sobrenaturais

Historiador liga a estética sertaneja às crenças sobrenaturais

O cangaço está nas telas de nossos maiores artistas, rendeu filmes premiados, personagem de livros clássicos e se mantém fonte de estudo e paixão.  A riqueza do fenômeno parece sem fim. O historiador Frederico Pernambucano de Mello prova isso ao esquadrinhar um aspecto original do fenômeno. Em Estrelas de Couro – A estética do cangaço (Escrituras, 258 págs., R$ 150), apresenta uma abordagem do visual do cangaceiro,  adornado e caracterizado com detalhes capazes de ombreá-lo a um  cavaleiro medieval europeu ou a um guerreiro samurai.

As páginas com mais de 300 imagens, entre fotos e ilustrações, apoiam textos que analisam com lentes de estudioso os desenhos, enfeites, utilização de peças e hábitos dos cangaceiros. Mello debruçou-se por 25 anos sobre o cangaço e oferece ideias bem estruturadas sobre a razão das moedas de prata e ouro pregadas no chapéu, desenho costurado na roupa e outras minúcias. O autor já escreveu Guerreiro do Sol, com prefácio de Gilberto Freyre, e Quem Foi Lampião, sobre o mais aclamado dos cangaceiros. Em Estrelas de Couro, ele diz tratar de um tema à vista de todos. Ariano Suassuna afirma no prefácio que, fosse ele um cientista e não um artista, não seria outro, senão este Estrelas de Couro, o livro que “gostaria de ter escrito”. Não é elogio pequeno em se tratando do autor de o Auto da Compadecida, outra história com cangaceiro como personagem.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 618, já nas bancas.