Você está aqui: Página Inicial / Cultura / A Bienal do bode político

Cultura

Artes Plásticas

A Bienal do bode político

por Camila Alam — publicado 24/09/2010 01h00, última modificação 24/09/2010 16h04
O evento procura recuperar o saldo negativo de 2008 com foco no manifesto fotográfico
materia4

Imagem de Nan Goldin, tela de Gamarra sobre Baader-Meinhof

O evento procura recuperar o saldo negativo de 2008 com foco no manifesto fotográfico

A Bienal Internacional de São Paulo realizada em 2008 deixou má impressão e saldo negativo. Depois de polêmicas que envolviam um andar vazio, pichadores e administradores mal preparados, cogitou-se cancelar a atual 29ª edição. Mas ela surge em 2010 renovada, sob curadoria de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, querendo atingir até 1 milhão de visitantes entre os dias 25 de setembro e 12 de dezembro, em São Paulo.

Muito foi feito, nos últimos dois anos, para limpar a imagem da Fundação Bienal. Empossado em 2009, o presidente Heitor Martins tinha como desafio reestruturar não só a parte administrativa, mas ajudar a conduzir público e crítica à apreciação do tradicional evento. Sob o título Há Sempre um Copo de Mar para um Homem Navegar (retirado do poema Invenção de Orfeu, do poeta alagoano Jorge de Lima), os curadores convidaram cerca de 160 artistas para trabalhar o tema “arte e política”. O resultado exposto no Pavilhão Ciccillo Matarazzo é a organização de obras bastante diversificadas, que, segundo o curador Agnaldo Farias, defendem a arte como uma extensão da política.  Queremos dar sentido àquilo que não é sentido. Nosso foco é a política da própria arte e o caráter experimental da arte como sendo político”, diz.

Entram em cena artistas que utilizam uma mesma temática em diferentes graus e que, reunidos, fazem da 29ª edição um programa diferente daquele visto há dois anos. Percebe-se, aqui, certa preferência pela fotografia como arte documental e uma chance de diálogo com antigos inimigos, os pichadores.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 615, já nas bancas.