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A arte geopolítica

por Willian Vieira — publicado 28/05/2011 18h18, última modificação 28/05/2011 18h30
A Bienal do Mercosul, que acontece em setembro, em Porto Alegre, abordará as definições sobre nação no mundo globalizado e como os fluxos migratórios chacoalham a geopolítica

Visitar uma bienal batizada com o nome de um tratado de livre-comércio chamou tanto a atenção de José Roca que agora, como curador-geral da oitava edição da Bienal do Mercosul, ele decidiu explorar a relação entre identidade cultural e geopolítica, nesse canto da América onde uma cultura permeia diversas nações. A terra e a gente dos pampas vão da Argentina ao Paraguai, passando pela mesma Porto Alegre que recebe o evento em setembro.

Para fazer uma bienal “menos expositiva e bem mais ativa”, os curadores chamaram 106 artistas de 32 países, que foram anunciados na terça 24. A mostra da bienal propriamente dita, a exposição batizada de Geopoéticas, voltará aos galpões do cais do porto e abordará as definições sobre nação no mundo globalizado e como os fluxos migratórios chacoalham a geopolítica.

Assim, as formigas do chileno Yanagi Yukinori voltarão ao Brasil para bagunçar os mitos que envolvem os conceitos de nação e território. Yukinori ficou conhecido por suas caixas de vidro cheias de areia colorida formando bandeiras de países e ligadas por tubos por onde transitavam formigas, que moviam a areia, recriavam as bandeiras e traziam a discussão sobre o impacto dos movimentos transnacionais na identidade cultural. Mercosul, versão feita para a bienal, fará o mesmo com bandeiras do Cone Sul.

O argentino Alberto Lastreto mostrará suas animações feitas com manipulações sobre fotografias antigas, com referências a uma história política transnacional. Em El Prócer, o herói pula de pedestal em pedestal ao som de uma marcha. Mark Lombardi trará diagramas que mostram ligações entre políticos e Osama bin Laden. Khaled Hafez, que participou dos protestos contra o ditador, trará colagens com referências clássicas e modernas ao Egito. E Khalil Rabah virá com obras que criticam noções de nação, no paroxismo da Palestina.

Além da exposição, que outros tantos artistas, seis “ações” terão espaço. Como uma antiga casa alugada para virar lugar de convívio e integração durante a bienal. Ou a homenagem ao chileno Eugenio Dittborn, que aborda a “transterritorialidade” em suas pinturas aeropostais. Desde os anos 1980, Dittborn faz colagens de imagens em uma tela que é dobrada e enviada por correio. A obra é então aberta e exposta com suas dobras e o próprio envelope, rastreando esse cruzar de territórios. É a síntese da bienal.