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“Sou o melhor cineasta de mim mesmo”, diz Eduardo Coutinho

por Marsílea Gombata publicado 05/07/2013 19h19, última modificação 02/02/2014 20h21
Para o diretor, "não se pode levar muito a sério o que as pessoas levam a sério; se não tiver ironia, não é possível levar a vida". [Republicação de reportagem de julho de 2013]
Marsílea Gombata
Eduardo Coutinho

O cineasta Eduardo Coutinho durante a flip

No ano em que completa 80 anos, Eduardo Coutinho, o nome mais expressivo do documentário brasileiro, parece não se gabar do título. "Sou o melhor cineasta de mim mesmo, dentro do meu quarteirão. Não existe melhor ou pior", disse o documentarista.

Esperado pelo público na segunda mesa do sábado 6 da 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ele contou que recebe críticas de seu trabalho com ironia e que tenta fugir do que a maioria leva a sério. "Recebo as críticas de modo totalmente contraditório. Quando a critica é muito dura, aí não ligo nada. (...) Mas tem coisas que falam bem sobre o meu [trabalho] que penso: eu me enganei. Se o cara gostou dessa forma, é um equívoco. Mas tem outros que não, que dizem um troço e eu aprendo com eles."

O grande segredo do documentarista aclamado por obras como Edifício MasterCabra Marcado para MorrerMoscou, no entanto, parece ser a leveza. "Não me levo muito a sério, e isso é essencial", confessou. "Não se pode levar muito a sério o que as pessoas levam a sério. Se eu não tiver essa ironia não é possível levar a vida."

Coutinho, conhecido pelo estilo que ele mesmo batizou de "cinema de conversação", descreve sua relação com o documentário como uma explosão passional. "Senti que era um troço que me dava o maior prazer", disse ele sobre a “fala e escuta diante de uma tela”. "Por isso, odeio quando alguém me conta uma história antes de eu ligar a câmera. Fico doido."

Jornalismo. Ainda na sexta-feira 6, o diretor de cinema falou também que o tempo em que trabalhou com copydescagem e crítica de cinema não mudou em nada a sua vida. “Há 20 anos não escrevo mais nada. Só sinopses, ficha de hotel e argumentos falsos”, brincou o cineasta, que é tema do livro O olhar no documentário – Eduardo Coutinho (Cosac Naify), lançado na Flip.

Fanático por obras como Tarzan durante a infância, Coutinho hoje abdicou dos contos e romances. “Nunca fui um cara culto, sou um cara mais ou menos informado e leio ensaio. Não leio ficção, pois senão terei insônia pensando nos personagens.”