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	<title>Carta Capital &#187; Carta na Escola</title>
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		<title>Um caso interessante</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jan 2012 19:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sírio Possenti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[gramática]]></category>
		<category><![CDATA[Sirio Possenti]]></category>

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		<description><![CDATA[Como convencer um aluno de que a grafia deve ser com “U” em vez de "L"? Por que chapéu não segue a regra de papel?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante o período de aquisição da escrita (que, às vezes, dura muito&#8230;), são comuns algumas “trocas de letras” perfeitamente explicáveis. Vou comentar uma delas, a troca entre “l” e “u”.</p>
<p>Vejamos a troca “l / u”. Primeiro, deve-se observar que ela ocorre apenas em final de sílaba, tipicamente em palavras como <em>mal/mau </em>e<em> alto/auto</em> (nunca em palavras como <em>uma</em> e <em>lua</em> ou <em>flanela</em>). Ocorre também, claro, quando não existe um par (como nos primeiros exemplos). Pode-se encontrar <em>Blumenal</em> (por <em>Blumenau</em>) ou <em>papeu</em> (por <em>papel</em>).</p>
<p>A explicação tem duas etapas: a) incorpora-se uma “teoria” da escrita baseada na relação letras e sons. A teoria não funciona sempre (como em <em>muito</em>, pronunciado <em>muinto, </em>ou em<em> homem</em>, pronunciado<em> omey – </em>com ditongo nasalizado). Mas ela funciona bastante bem em muitos casos (<em>bala, bota, tatu, time</em> etc.); b) em português, na maioria das regiões, há uma vocalização do “l”, pronunciado “u”, <strong><em>em final de silaba</em></strong> (<em>algo</em> &gt;<em>augo</em>,<em> Brasil &gt; brasiu</em>,<em> gol &gt;gou</em>). Acreditando um pouco na teoria da correspondência entre som e letra, acaba-se escrevendo <em>mal</em> por <em>mau</em> (e vice versa), <em>auto</em> por <em>alto</em> (e vice versa). Não por falta de cuidado, mas exatamente devido ao grande cuidado para não errar: falamos a palavra silenciosamente e a grafamos com base em seus sons.</p>
<div id="attachment_65122" class="wp-caption alignleft" style="width: 298px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/chap%C3%A9u.jpg"><img class="size-full wp-image-65122" title="chapéu" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2012/01/chap%C3%A9u.jpg" alt="" width="288" height="216" /></a><p class="wp-caption-text">Por que chapéu não segue a regra de papel? Foto: Galeria de ionaloyola/Flickr</p></div>
<p>Um caso particularmente interessante é <em>chapéu</em>, eventualmente escrito <em>chapel</em>. Uma forma de ensinar a evitar erros de grafia, em casos assim, é aumentar, aos poucos, a consciência morfológica. Pode-se ensinar que se escreve <em>papel</em> com “l” no final, embora pronunciemos um “u”, porque de <em>papel</em> se deriva <em>papelaria – papelão – papelucho – papelada</em>, palavras em que o “l” <strong><em>reaparece</em></strong> (da mesma forma, de <em>Brasil</em> se deriva <em>brasileiro</em> etc.).</p>
<p>Acontece que, de <em>chapéu</em> se deriva <em>chapelaria – chapelão – chapelete – chapelinho..</em>. Como convencer um aluno de que a grafia deve ser com “u”? Por que <em>chapéu</em> não segue a regra de <em>papel</em>? (Às vezes, crianças deveriam ser chamadas para discutir reformas ortográficas).</p>
<p>Num caso assim, (e em todos os outros!), seria bom fazer uma pequena pesquisa – em vez de só mandar fazer. Um dicionário como o Houaiss informa que <em>chapéu</em> vem do latim <em>capello</em>, mas via o francês <em>chapel</em>. Não é curioso? A palavra que deu em <em>chapéu</em> tem originalmente um “l” no final!</p>
<p>Descobrem-se curiosidades interessantes, consultando um bom dicionário. Por exemplo, da mesma raiz é <em>capelo</em> (um chapéu usado por autoridades e religiosos), mas também <em>capa</em> e <em>capuz</em>. A relação de <em>capuz</em> com <em>chapéu</em> é quase intuitiva. A de <em>capa</em> é menos. Mas não esqueçamos que muitas capas têm capuz. Seria um caso de metonímia? Não seria o primeiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>PS – Dizer que os erros têm uma boa explicação não significa defender que sejam aceitos. Explicar ainda é explicar!</p>
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		<title>Explicar. Sempre</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 18:49:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sírio Possenti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[lingua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Sirio Possenti]]></category>

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		<description><![CDATA[As línguas são objetos bastante complexos. Nelas, há fatos que são simplesmente porque são. Nomes de objetos, por exemplo. Explicar sua origem nem sempre é fácil]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos estereótipos de crianças é que são curiosas. Perguntam tudo. Às vezes, fazem perguntas sobre a língua que estão começando a falar. Ou a escrever, conforme a idade. Muitas vezes, não sabemos responder.</p>
<p>As línguas são objetos bastante complexos. Nelas, há fatos que são simplesmente porque são. Nomes de objetos, por exemplo. Explicar sua origem nem sempre é fácil. Muitas fontes não são confiáveis (há muita etimologia fajuta no mercado).</p>
<p>Mas há fatos que podem ser explicadas. Às vezes, os manuais não ajudam. Nem as gramáticas. Frequentemente, tratam de fatos que podem e devem ser explicados como se fossem não motivados, arbitrários.</p>
<p><strong>Outros textos de Sirio Possenti:</strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/analisar/?autor=594">Como fazer os alunos tomarem gosto pela análise sintática</a> </strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/e-muito-estranho/?autor=594">Mudanças na língua não podem ser encaradas como apologia ao erro</a> </strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/sobre-erros-de-grafia/?autor=594">Erros de grafia não são o fim do mundo</a></strong></p>
<p>Por exemplo: pode-se dizer <em>É necessário paciência </em>ou <em>É proibido entrada</em>. Também é correto fazer a concordância: <em>É necessária paciência </em>ou <em>É proibida entrada</em> (conforme a <em>Moderna gramática portuguesa</em>, de E. Bechara)</p>
<p>Quem não vê, no entanto, que a ausência de concordância é motivada pela posição dos constituintes? Não se diz <em>A paciência é necessário </em>ou<em> A entrada é proibido</em>. Mas, se o sujeito vem depois do elemento que pode concordar com ele, a regra muitas vezes não se aplica.</p>
<p>Acho que não é um caso para ser detalhado nos primeiros anos da escola (mas as crianças entenderiam; quem não <strong><em>quer entender</em></strong>, às vezes, é o especialista; ele perderia dinheiro!). Mas, em algum momento, é bom que haja uma explicação e, principalmente, que se estabeleça uma relação entre partes da gramática que os próprios gramáticos não relacionam.</p>
<p>Bechara, por exemplo, apenas diz que, com expressões do tipo <em>é necessário</em>,<em> é preciso</em>, o adjetivo pode ficar invariável ou pode concordar (p. 551).</p>
<p>Mas os fatos mostram que o fenômeno não ocorre apenas  com tais “expressões”. Mais que isso: as gramáticas tratam em separado a concordância verbal quando <em>o sujeito é composto e posposto</em>. Constatam (e aceitam) que o verbo concorde apenas com o elemento mais próximo de um sujeito composto posposto (que vem depois do verbo). O exemplo clássico é <em>Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão</em>. Mas há outros: <em>Que te seja <strong>propício</strong> o astro e a flor</em>&#8230;; <em>Habita-me o espaço e a solidão</em> (Cunha e Cintra<em>. Nova gramática do português contemporâneo</em>).</p>
<p>Observe-se o caso “que te seja <strong><em>propício</em></strong> o astro e a flor”: “propício” não está no plural. A única razão é sua posição, antes do(s) nome(s) com que concordaria.</p>
<p>Uma observação elementar mostra que devem ser tratados da mesma forma esses casos e o caso das “expressões”. Em todos eles, o fator condicionante é a posição do sujeito (posposto). Melhor ainda: esse fato explica tanto a (falta de) concordância <strong><em>nominal</em></strong> quanto a <strong><em>verbal</em></strong>! Obtém-se uma incrível generalização!</p>
<p>Ressalvados certos aspectos (línguas funcionam em sociedades heterogêneas, o que produz efeitos), as gramáticas deveriam operar como as outras ciências: explicar fatos! Se possível, com poucas regras.</p>
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		<title>Analisar</title>
		<link>http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/analisar/</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 16:34:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sírio Possenti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[análise sintática]]></category>
		<category><![CDATA[lingua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[objeto direto]]></category>
		<category><![CDATA[objeto indireto]]></category>
		<category><![CDATA[Sirio Possenti]]></category>

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		<description><![CDATA[A aula típica faz com que os alunos não gostem de análise sintática. Aqui, duas sugestões para fazê-los tomar gosto]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A maioria dos alunos não gosta de análise sintática. Na verdade, eles não ficam sabendo bem o que é isso. As aulas típicas mandam localizar partes de oração (ache o sujeito, sublinhe o objeto direto) ou atribuir uma função sintática a essas partes (o que é “livro” em “O menino leu o livro”?). Assim, temos é que encontrar uma boa explicação quando alguém gosta ou aprende&#8230;</p>
<p>Uma sugestão? Dou duas, que se completam.</p>
<p>a) A análise sintática supõe que a oração seja interpretada (nos casos em que o sujeito vem depois do verbo, isso é fundamental). Suponhamos que o “dado” a ser analisado seja “Vai-se a primeira pomba despertada”. A primeira atividade deve ser “descobrir seu sentido” (claro que a compreendemos, mas estamos “analisando”!).</p>
<p><strong>Leia também, de Sirio Possenti:</strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/e-muito-estranho/?autor=594">A falácia da apologia ao erro na Língua Portuguesa</a> </strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/sobre-erros-de-grafia/?autor=594">Sobre erros de grafia</a> </strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/em-vez-de-o-objeto-ser-a-doenca-lula-vira-seu-portador/?autor=594">Lula é portador e doença não é objeto</a></strong></p>
<p>Em português, o sentido fica “mais claro” se mudamos a ordem dos constituintes: “A primeira pomba despertada se vai” ou “vai-se”. Agora, é mais “fácil” encontrar o sujeito. Mas podemos ir além. Mude-se o sujeito para o plural: “As primeiras pombas despertadas&#8230;”: logo os alunos descobrirão que a continuação deve ser “&#8230; se vão / vão-se”. E que o sujeito agora é “as primeiras pombas etc.”. Uma coisa tem tudo a ver com a outra.</p>
<p>Para onde as pombas vão? O poema não diz (sim, é o primeiro verso de um poema). Mas podemos imaginar: suponha que não é um poema: para onde você as mandaria ou  imagina que vão? Ou: se o poeta fosse você, para onde iriam? Para a praça, a mata, procurar uma oliveira (lembre-se da arca de Noé!). Se escolheu um lugar, a oração também tem um locativo (um adjunto de lugar).</p>
<p>b) A análise sintática é mais bem sucedida se levar em conta mais de uma oração. Pelo menos as paráfrases, isto é, outras versões com o mesmo sentido, ou com sentido próximo. Construindo paráfrases, aprendemos a ler, a escrever e a analisar.</p>
<p>Para ver o interior de um corpo, nós o dissecamos. Se queremos ver o “interior” de uma oração, construímos paráfrases, a melhor maneira ver seu interior, sua estrutura.</p>
<p>Diversos problemas podem ficar claros se construímos orações sinônimas. Por exemplo, partindo de</p>
<p><em>Ele me mandou sair</em></p>
<p>pode-se chegar a</p>
<p><em>Ele mandou que eu saísse</em></p>
<p><em>Mandou eu sair</em></p>
<p><em>Mandou-me sair</em></p>
<p><em>Me mandou sair.</em></p>
<p>Digo que seria bom fazer uma atividade semelhante em cada aula de português. O material poderia ser uma passagem escolhida de algum texto escrito de aluno. Se houver um erro, aproveita-se para corrigir. Mas também vale a pena mexer na estrutura de construções corretas. Descobrem-se outras possibilidades e oferecem-se alternativas estilísticas. Entre “mandou-me sair” e “mandou eu sair”, qual é a construção mais adequada para uma argumentação formal? E para uma fala em peça de teatro? E para caracterizar um advogado? E um policial?</p>
<p>Assim, os objetivos seriam claros. Ou iriam ficando claros com o tempo.</p>
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		<item>
		<title>Prouni para estrangeiros?</title>
		<link>http://www.cartacapital.com.br/politica/prouni-para-estrangeiros/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 14:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação Carta Capital</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[bolsas de estudo]]></category>
		<category><![CDATA[estudantes estrangeiros]]></category>
		<category><![CDATA[projeto de lei]]></category>
		<category><![CDATA[ProUni]]></category>

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		<description><![CDATA[Senado discute projeto que visa internacionalizar universidades privadas brasileiras com liberação de bolsas do programa para estudantes do exterior ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_37200" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/mao.jpg"><img class="size-medium wp-image-37200" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/07/mao-300x211.jpg" alt="" width="300" height="211" /></a><p class="wp-caption-text">Projeto de lei quer internacionalizar as universidades brasileiras com a liberação de bolsas de estudo do Prouni para estrangeiros.</p></div>
<p>A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado deve analisar em 2012 um polêmico projeto de lei que concede a estrangeiros o direito de solicitar bolsas de estudo do Programa Universidade para Todos (Prouni).</p>
<p>Os interessados se enquadrariam nos mesmos critérios dos brasileiros para solicitar o benefício em instituições privadas: estudantes com renda familiar mensal <em>per capita</em> de até 1,5 salário mínimo (933,00 reais a partir de janeiro) podem pedir bolsa integral. Indivíduos com renda de até três salários mínimos por pessoa (1866,00 reais) estão qualificados para bolsas parciais.</p>
<p>O projeto, apresentado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), visa internacionalizar as universidades brasileiras, a princípio as particulares, com a chegada de mais estudantes estrangeiros.</p>
<p>A medida visa aproximar as instituições de ensino superior do País dos cerca de 20% de estudantes com esse perfil em universidades dos Estados Unidos. Na Universidade de São Paulo, instituição pública mais importante do Brasil, esse número não ultrapassa os 3%.</p>
<p><strong>Leia mais:</strong></p>
<p><strong><a href="../sociedade/ensino-superior-exclusao-privatizacao-e-o-prouni/">Ensino superior: exclusão, privatização e o ProUni</a></strong><br />
<strong><a href="../carta-na-escola/um-balanco-do-plano-nacional-de-educacao/">Um balanço do Plano Nacional de Educação</a></strong><br />
<strong><a href="../sociedade/governo-lanca-programa-de-bolsas-de-estudo-no-exterior/">Governo lança programa de bolsas de estudo no exterior</a></strong></p>
<p>Segundo o texto, a prioridade seria para estudantes de países africanos e latino-americanos, para fortalecer laços regionais e a integração com a África, de onde vem &#8220;significativa parte das raízes brasileiras&#8221;, destaca Crivella.</p>
<p>“O reduzido contingente de estudantes estrangeiros [nas universidades brasileiras] trata-se de um traço impróprio em um mundo marcado pelo multiculturalismo e pelo dinamismo dos intercâmbios&#8221;, aponta o senador no projeto.</p>
<p>Para Cristovam Buarque (PDT-DF), relator do projeto e defensor da proposta, o Brasil deveria começar a seguir o exemplo de EUA e Europa, que ofereceram bolsas de estudo a jovens brasileiros durante décadas. “Esses programas serviram para formar mais jovens, para trazer conhecimento ao Brasil e criaram laços de amizade e simpatia desses jovens em relação aos países onde estudaram”, diz.</p>
<p>Segundo Buarque, o País agora tem condições de fornecer bolsas de estudo a estrangeiros. “O Brasil adquiriu o nível de economia capaz de oferecer o mesmo tipo de apoio a países mais pobres, da África e da América Latina.”</p>
<p>Após ser analisada na CRE, a proposta passa pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e deve seguir para votação na Câmara dos Deputados.</p>
<p><em>Com Agência Senado. </em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mobilidade restrita</title>
		<link>http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/mobilidade-restrita/</link>
		<comments>http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/mobilidade-restrita/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 19:19:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carta na Escola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino técnico]]></category>
		<category><![CDATA[Petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[projeto embarcar]]></category>

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		<description><![CDATA[A passagem da baixa para a média classe média não será feita sem reindustrialização e qualificação]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Waldir Quadros, professor associado colaborador do IE/Unicamp e do Cesit &#8211; Centro de Estudos Sindicais e de Enconomia do Trabalho</em></p>
<div id="attachment_61333" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/emprego001.143701.jpg"><img class="size-medium wp-image-61333" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/emprego001.143701-300x211.jpg" alt="" width="300" height="211" /></a><p class="wp-caption-text">A passagem da baixa para a média classe média não será feita sem reindustrialização e qualificação. Foto: Keiny Andrade/AE</p></div>
<p>Vivemos um momento favorável à formulação e implementação de políticas de qualificação profissional. De um lado, o mercado de trabalho brasileiro foi estimulado pelo crescimento econômico mais expressivo dos últimos anos. De outro, esse dinamismo foi acompanhado de notável mobilidade na base da pirâmide social.</p>
<p>Em relação ao primeiro componente desse cenário promissor, verifica-se que de2004 a2010 o PIB cresceu a uma taxa de 4,4% ao ano. Por sua vez, de2004 a2009 aocupação aumentou 15% e a renda média dos ocupados 22%.</p>
<p>Quanto ao segundo aspecto, são necessárias algumas considerações metodológicas a respeito da forma de estratificação social que adotamos. Em poucas palavras, segmentamos as pessoas ocupadas a partir dos rendimentos declarados no inquérito domiciliar (Pnad) de acordo com “linhas de corte” fixas, como é usual. Entretanto, na delimitação dessas faixas não adotamos nenhum critério estatístico. Ao contrário situamos essas linhas de modo a englobar ocupações que a priori e analiticamente definimos como pertencentes a este ou àquele estrato social.</p>
<p>Para ilustrar, na alta classe média incluímos a alta administração, os micro e pequenos empresários, os profissionais de nível superior e outras ocupações semelhantes. Na média classe média, os gerentes, técnicos especializados, professores do ensino médio etc. Por fim, na baixa classe média (ou “classe C”) encontram-se os professores do ensino fundamental, auxiliares de escritório e de enfermagem, operadores de telemarketing, balconistas, caixas de supermercado etc. No extremo inferior, os miseráveis são aqueles que em 2004 declararam um rendimento de até um salário mínimo. E a massa trabalhadora (pobre) de um a dois.</p>
<p>A tabela abaixo apresenta a evolução da estrutura social entre2003 a2009. Aestrutura social vai até a alta classe média pelo fato de que é muito raro um rico atender o pesquisador neste censo domiciliar.</p>
<p>Nesse período de seis anos, o traço distintivo é a notável redução dos miseráveis e o forte fluxo deles subindo para a situação de pobres e destes ascendendo à baixa classe média remediada. Já a passagem da baixa para a média classe média foi mais restrita. E aqui chegamos ao ponto central desse breve ensaio: o acesso às oportunidades mais bem situadas depende de uma série de fatores, mas a qualificação profissional é um componente fundamental.</p>
<p>No que diz respeito aos jovens da baixa classe média (e também da massa trabalhadora) destacam-se os cursos profissionalizantes de base tecnológica efetiva (“ofícios”), que nos parecem superiores aos de gestão ou afins. Na verdade, a qualificação em gestão (incluindo “empreendedorismo”) deveria ser oferecida em módulo comum a todos os cursos técnicos. E também como reciclagem aos já qualificados.</p>
<p>Como credencial para o ingresso qualificado no mercado de trabalho, ou como aperfeiçoamento, os cursos tecnológicos superam inclusive os cursos superiores de gestão focalizados em áreas muito específicas. Ou generalistas de baixa qualidade.</p>
<p>Por fim, se o ensino técnico de qualidade não deve ser confundido com assistência social, parece oportuna a implementação de uma política de “nivelamento” ou recuperação voltada aos jovens que não conseguem aprovação nos exames de seleção (que devem ser mantidos e ajustados às necessidades dos cursos), em razão de má-formação no Ensino Fundamental. Da mesma forma, justifica-se a adoção de bolsa de estudo aos jovens carentes que viabilizem cursos em tempo integral. O que adicionalmente ajudaria a reduzir a pressão sobre o mercado de trabalho e o desemprego, com seu forte componente juvenil. “Se temos uma refinaria que vai ficar pronta em 2014, já em 2012 temos de fazer a seleção para contratar as pessoas, que estarão aptas até a refinaria ficar pronta”, explica Lairton Correa, gerente de gestão do efetivo da Petrobras. Todas as vezes que a estatal revisa seu plano de investimentos estratégicos, o departamento de recursos humanos acompanha o movimento. Atualmente, a empresa tem 58 mil funcionários. Se forem somados os que trabalham nas subsidiárias, coligadas e no exterior, esse total salta para 80 mil trabalhadores.</p>
<p>Segundo Correa, pelo atual plano estratégico da empresa, há necessidade de contratar 17 mil trabalhadores até 2015. “Isso significa que haverá processos seletivos para atender essa demanda, em todas as áreas”, diz. Ele conta que as profissões mais demandadas são para as áreas de exploração e produção de petróleo, além das competências voltadas para abastecimento. “Dentro desse grupo, o que mais procuramos são engenheiros, de diversas áreas.” Um engenheiro em início de carreira na Petrobras ganha um salário bruto de cerca de 6.200 reais. Porém, se trabalhar em uma plataforma, tem vários adicionais.</p>
<p>A Petrobras tem feito cerca de dois processos seletivos a cada ano. Como seu quadro de cargos e funções é diferente do que existe no mercado, a empresa admite pessoas com formação técnica e em engenharia e complementa as habilidades com cursos dentro da Universidade Petrobras (UP), que tem um volume diário de alunos de mil a 1,5 mil. “Em engenharia de petróleo, por exemplo, não há formação de mão de obra no mercado. Então, abrimos o processo seletivo para qualquer área em engenharia e complementamos a formação do profissional dentro da Petrobras”, conta Correa. O mesmo processo é realizado com os profissionais de nível técnico.</p>
<p>Segundo o gerente do RH da Petrobras, o tempo de formação interna dos profissionais varia de acordo com a função. Em média, são cerca de 18 meses. Um engenheiro da área de petróleo passa por um treinamento de 10 meses após ingressar na empresa. Já um geólogo fica nos bancos escolares por um ano. “Um administrador fica pronto em três meses. Tudo depende da profissão”, acrescenta Correa. No ano passado, a companhia de petróleo investiu 210 milhões de reais em treinamento do seu pessoal. Foram 190 mil pessoas treinadas. Ou seja, cada trabalhador passou por cursos mais de duas vezes no ano.</p>
<p>Preocupada com a falta de profissionais qualificados, a Odebrecht Óleo e Gás criou o Projeto Embarcar, que começa em 2012 e vai dar treinamento para profissionais que vão trabalhar embarcados. A companhia tem três sondas de perfuração no País e mais quatro vão chegar em meados de 2012. Por conta disso, reservou 5 milhões de dólares para dar treinamento aos funcionários dessas sondas somente no ano que vem. “Diante do cenário de gargalo profissional em que nos encontramos, o programa identificou que, se a empresa não investir na formação do trabalhador, a indústria terá um colapso”, afirma Marco Antônio Barbosa, coordenador do projeto. “Ou as empresas qualificam ou terão de importar profissionais.”</p>
<p>Segundo Barbosa, há uma gama ampla de cursos tanto no Brasil como no exterior que devem ser aplicados aos profissionais que trabalham embarcados. “Esses profissionais acabam valendo ouro no mercado. Uma empresa tira o trabalhador da outra. A preocupação hoje é quando eu vou formar e quanto, já que não se pode contratar um profissional sem experiência”, afirma.</p>
<p>O executivo da Odebrecht lembra que a companhia está entrando em uma concorrência para a construção de 21 plataformas em parceria com a Petrobras, o que dá uma dimensão da quantidade de profissionais que serão necessários. Em cada plataforma são cerca de 160 profissionais que trabalham embarcados, divididos em duas turmas, que se revezam de 14 em 14 dias.</p>
<p>Barbosa conta que o Projeto Embarcar tem duas vertentes: a primeira é cuidar dos trabalhadores que já estão na empresa e dar treinamento a eles nos períodos de folga. A segunda é treinar os profissionais que estão no mercado, sem experiência, mas que sejam oriundos de escolas técnicas e universidades que tenham sinergia com a atividade. “O tempo de treinamento depende da área em que o profissional vai trabalhar, mas o básico leva cerca de nove meses”, afirma. A primeira turma do Embarcar, com 98 profissionais, inicia o treinamento no ano que vem.</p>
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		<title>Falta interatividade</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 19:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carta na Escola</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tablets: Para sociólogo Marco Silva, redes pública e privada falham em não pensar a tecnologia dentro das práticas docentes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<div id="attachment_61380" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/05549480.jpg"><img class="size-medium wp-image-61380" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/05549480-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a><p class="wp-caption-text">A inclusão de computadores e tablets nas escolas não acompanha a formação de professores. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress</p></div>
<p>A notícia de que o Ministério da Educação vai distribuir tablets, computadores pessoais- portáteis do tipo prancheta, reacendeu a discussão a respeito da invasão das novas tecnologias no ambiente educacional brasileiro.</p></div>
<p>O objetivo do novo programa, que deve entrar em vigor em 2012, segundo o ministro Fernando Haddad, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia. Em paralelo aos esforços do MEC, persiste um abismo entre a chegada dos aparelhos às escolas e a sua efetiva utilização pelos docentes.</p>
<p>Uma recente pesquisa, realizada pelo  Comitê Gestor da Internet no Brasil com  1.541 professores de 497 escolas de todas as regiões do País, revelou que 64% dos professores sentem que os alunos dominam melhor as ferramentas do que eles. Outros 24% afirmam que não sabem o suficiente para usar a máquina na aula. Sociólogo e doutor em Educação, o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Marco Silva, 56 anos, discute com <em>Carta na Escola</em> a presença dos computadores e tablets nas escolas.</p>
<p>Nesta entrevista, o autor do livro <em>Sala de Aula -Interativa</em> critica políticas governamentais como o programa Um Computador por Aluno<em> </em>e questiona a inexistência de uma “injeção de ânimo financeiro” para o docente aprender a utilizar novas tecnologias. Silva também elenca outros entraves: a baixa velocidade da banda larga, a falta de formação efetiva dos docentes e a inexistência de um profissional capacitado para fazê-la.</p>
<p>Carta na Escola: <em>Levantamento do Comitê Gestor da Internet do Brasil revelou que os computadores estão em praticamente todas as escolas públicas brasileiras, com 90% deles conectados à internet. Entretanto, a mesma pesquisa revelou que o professor ainda não se sente preparado para </em><em>utilizar a tecnologia em sala de aula. Quais são as razões dessa contradição?</em></p>
<p>Marco Silva: A resposta é muito simples. Há uma política de inclusão de computadores nas escolas, mas não há política de formação de professores para seu uso. Os programas de inclusão dos computadores das escolas do governo cometem esse grande erro. Nas particulares ocorre o mesmo. As pessoas acreditam que basta colocar o computador na escola para que ele imediatamente passe a interferir na mudança curricular. Não é suficiente colocar o computador num laboratório para que o professor possa incluí-lo em sua prática docente. O computador pode interferir profundamente no conceito de currículo, que está muito centrado no professor. Com o computador, a postura docente se tornará mais flexível, no sentido de os alunos ganharem mais participação e importância no processo- -docência-aprendizagem. Se o professor não tem uma formação adequada para o uso do computador, ele ficará alheio a essa possibilidade e o computador ficará, lamentavelmente, como já está, no laboratório, separado da prática docente.</p>
<div id="attachment_61381" class="wp-caption alignleft" style="width: 221px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/entrevistamarco.jpg"><img class="size-medium wp-image-61381" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/entrevistamarco-211x300.jpg" alt="" width="211" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Para o sociólogo Marco Silva, redes pública e privada falham ao não pensar a tecnologia dentro das práticas docentes. Foto: Marcelo Carnaval</p></div>
<p>CE:<em> Como se deu a implementação do programa Um Computador por Aluno? Os resultados foram condizentes com a expectativa do lançamento?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>Não. Esse projeto nunca foi adiante. Ele aconteceu em um ou outro lugar. Primeiro, houve grande expectativa em relação ao computador custar 500 reais. As empresas que negociavam o computador nunca conseguiram efetivar esse valor. A segunda impossibilidade foi de que o computador chegou à escola, mas ela não sabia muito bem o que fazer com ele. Isso foi constatado em uma pesquisa na Uerj realizada pela professora Edneia Santos. Quando os computadores chegaram às escolas cariocas, uma das docentes disse: “O que eu vou fazer com essa caixa vazia?”. A professora imaginava que o computador chegaria como um livro ou apostila, cheio de conteúdo para ser aplicado e de informações para o aluno trabalhar. Na verdade, ela teria de incluir conteúdos diversos. Essa foi outra falha do governo: deveria oferecer o computador, formar o professor para seu uso integrado ao currículo escolar e, ao mesmo tempo, ensiná-lo a “encher” aquela máquina com conteú-dos importantes.</p>
<p>CE:<em> O ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou que vai distribuir tablets em escolas públicas. Esses equipamentos vão ajudar no processo educacional ou são mais um produto tecnológico da moda, como foi o notebook?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>O tablet é muito mais prático, barato e fácil de ser utilizado do que o computador. Ele rompe com o laboratório de informática, que fica separado da sala de aula, o que, às vezes, impede os professores de se deslocarem com uma turma de 40 alunos. A presença do tablet pode superar essas dificuldades. Mas continuo insistindo no mesmo problema inicial: não adianta chegar o tablet se permanecer o erro de não preparar o professor para usá-lo.</p>
<p>CE:<em> Quais os desafios para o professor </em><em>formado no modelo em que ele era praticamente o único detentor do saber diante de alunos que dominam ferramentas de busca como o Google ou a Wikipedia?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>O conceito de docência será o primeiro a ser questionado, uma vez que o computador, por distinção, é uma máquina interativa, ainda mais quando vinculado à web e às redes sociais. Ele é uma máquina de colaboração, uma máquina de autoria, uma máquina de inteligência coletiva. E o professor não está acostumado a trabalhar com essas posturas. O currículo é muito centrado em sua autoria: docente é o detentor do saber e transmite esse pacote de informação. Essa lógica está estruturada em concordância com a lógica dos meios <em>(de comunicação)</em> de massa, ou seja, a televisão, os impressos, o quadro-negro e até mesmo o PowerPoint. O computador tem uma lógica diferenciada, que supõe a autoria dos seus usuários. Isso tudo quebra ou questiona uma postura professoral tradicional.</p>
<p>CE:<em> Que tipo de planejamento e formação o professor pode buscar, enquanto espera por essa formação do governo?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>É muito difícil o sujeito solitariamente correr atrás do prejuízo. É preciso que haja um projeto de formação continuada, bem estruturado, para que ocorra de fato. Porque, muitas vezes, o projeto se -inicia, mas não continua. Para mudar mentalidades e práticas, não basta uma palestrazinha de fim de semana ou levar o professor uma vez por semana para o laboratório: é preciso adotar posturas interativas, colaborativas. O mais curioso dessa história é que os clássicos teóricos da educação, Paulo Freire, Anísio Teixeira, Vigotski, todos já acionavam o professor para posturas democráticas, participativas, dialógicas. Essas posturas é que precisam ser desenvolvidas com o computador. É necessário mudar essa prática<br />
milenar de ensino unidirecional, da qual o professor não pode ser responsabilizado. O livro, a tevê e o rádio são unidirecionais – o professor respirou essa lógica durante décadas, por isso a formação terá de ser profunda e significativa. Será preciso um engajamento continuado, com professores bem preparados, para formá-los, e não treiná-los.</p>
<p>CE:<em> Isso não onera ainda mais a carga horária do professor?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>Com certeza. Você não consegue tirar o professor para a formação dentro do cotidiano sufocante em que ele está. O professor muitas vezes trabalha em três turnos porque com um só ele não sobrevive. Vive nos engarrafamentos, estressado, com muitos alunos por sala, então é preciso que haja um <em>plus </em>no seu contracheque, uma injeção de ânimo financeiro. Por outro lado, é preciso uma tabela de opções de horários para que ele possa, de fato, ter flexibilidade na carga horária e atue em sua formação no cotidiano. Esses encontros de formação também precisam ser na escola – não adianta convidar o professor para grandes deslocamentos.</p>
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<p>CE:<em> Que tipo de profissional pode realizar essa formação?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>Esse formador raramente existe. Aqui você de fato vai bater com a cabeça em uma grande parede, porque não existem os formadores de formadores. O formador, em geral, não passa de um técnico de informática. Não basta chamar um rapazinho que entenda de tablets para fazer a formação. O grande desafio é articular o tablet e o computador com a mudança curricular e comunicacional em sala de aula. Os formadores são técnicos, não sabem discutir modificações curriculares, não sabem discutir teoria da comunicação, necessária para questionar a unidirecionalidade. Raros são aqueles formadores com capacidade para mexer com isso.</p>
<p>CE:<em> É preciso formar o formador?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>É preciso formar o formador. O desafio é grande. Comprar o computador é fácil, o governo tem dinheiro para fazer isso. Mas é a parte mais simples do processo. O mais difícil é formar o formador e o formador formar o professor. E é exatamente aí que nada ou muito pouco se faz. Quando se faz, é malfeito.</p>
<p>CE:<em> A posse de equipamentos de alto valor agregado, como o próprio tablet, pode elevar a autoestima do aluno de escola pública? Isso pode ter efeito positivo no rendimento em sala de aula?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>Sem dúvidas. O lamentável é que o aluno fica operando o tablet nos seus interesses, nas redes sociais, nos jogos online, nas suas curiosidades particula-res. O desafio é motivá-lo às coisas próprias do currículo escolar.</p>
<p>CE:<em> Não basta apenas entregar o tablet para o aluno.</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>Sim, se você entregar o tablet, para onde ele vai? Para o Facebook, para o Orkut e para os games. O aluno não tem outro atrativo agregado à máquina. É preciso também fazer educação com o tablet<em>,</em> não só diversão.</p>
<p>CE:<em> O novo Plano Nacional de Educação aposta na educação a distância para expandir matrículas, especialmente no </em><em>ensino técnico e na pós-graduação. A baixa velocidade da banda larga no </em><em>País pode ser um entrave à expansão efetiva da educação a distância?</em></p>
<p>MS:<strong> </strong>Temos outro problema enorme. Primeiro, a nossa internet é muito cara, talvez a mais cara do mundo. Não é de hoje que se diz que as escolas têm banda larga, é uma mentira, elas não têm. Quando há internet, ela é muito lenta, perto da conexão discada. Se no seu computador não tem internet, você experimenta um desânimo profundo – é “brochante”, como dizem meus alunos. É exatamente isso. O computador sem internet fica muito próximo de uma máquina de escrever. Não há motivação quando a banda larga não funciona, quando a conexão não funciona. Aqui nós temos outra falha enorme do governo brasileiro. Há uma espécie de promessa, a sociedade fica aguardando a efetivação disso tudo, que nunca acontece. É uma questão para ser resolvida ontem: internet funcionando com banda larga nas escolas. Mas a política pública não funciona, lamentavelmente.</p>
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		<title>O impulso do petróleo</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 19:11:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carta na Escola</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ensino técnico]]></category>
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		<description><![CDATA[Com a descoberta do pré-sal, a demanda de trabalhadores qualificados supera 200 mil para os próximos cinco anos, o que mobiliza tanto empresas do setor quanto instituições de ensino]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Nelson Rocco</p>
<div id="attachment_61328" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/petroleo.jpg"><img class="size-medium wp-image-61328" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/petroleo-300x211.jpg" alt="" width="300" height="211" /></a><p class="wp-caption-text">Com a descoberta do pré-sal, a demanda de trabalhadores qualificados supera 200 mil para os próximos cinco anos, o que mobiliza tanto empresas do setor quanto instituições de ensino. Foto: Vanderlei Almeida/AFP</p></div>
<p>As estimativas dão conta de que o País irá necessitar de mais de 200 mil trabalhadores para suprir a demanda do setor de petróleo e gás por conta dos investimentos que serão feitos pela Petrobras para a exploração do pré-sal, a camada de óleo descoberta em 2007 que fica a mais de 6 mil quilômetros abaixo do nível do mar. Para explorar as novas reservas e cuidar da produção e refino do que já existe, a estatal programa investir 224,7 bilhões de dólares entre este ano e 2015.</p>
<p>A empresa prevê chegar a 2020 produzindo somente na área do pré-sal mais do que os atuais 2,1 mil barris de óleo equivalentes. Com isso, a participação do pré-sal na produção de petróleo da Petrobras no País passará dos 2% atuais para 18%, em 2015, e para 40,5%, em 2020. Em uma década, a produção total de óleo e gás da companhia, no Brasil e no exterior, vai saltar de 2,77 milhões de barris de óleo equivalente (boe) para 6,4 milhões. Para tudo isso, irá precisar de muita gente, o que mobiliza tanto empresas do setor como instituições de ensino.</p>
<p>“Se a gente não conseguir formar mão de obra, as empresas vão importar trabalhadores”, avalia o professor Maurício Mota, vice-presidente do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-Rio), um dos integrantes da rede federal de ensino técnico, com escolas em todo o País. Nas salas de aula da instituição ingressam anualmente cerca de mil alunos nos níveis técnicos e de graduaçãoem engenharia. São31 cursos técnicos, 16 de graduação e 6 no nível de mestrado.</p>
<p>O orçamento anual do Cefet-Rio é de 160 milhões de reais, incluindo a folha de pagamentos. Sem a folha, esse valor baixa para 40 milhões de reais, que são destinados à manutenção e aos investimentos. Mota conta que trabalha há 20 anos na instituição e que as verbas têm crescido desde 2004. “Está claro que houve uma expansão, mas é preciso mais”, afirma. “Tem de haver um incentivo maior às instituições de engenharia. O governo precisa ampliar a formação de técnicos, não só nas áreas de petróleo e gás, porque hoje temos um apagão de recursos humanos. Não adianta termos dinheiro se não tivermos quem desempenhe as funções”, reclama o professor.</p>
<p>Segundo Mota, as necessidades do setor são gerais. Vão desde profissionais de nível técnico até graduados em mecânica, engenharia elétrica, além dos especializados em petróleo e gás. “Muitas vezes há necessidades em áreas que nem imaginamos. Hotelaria, por exemplo. É preciso profissionais que cuidem dos trabalhadores que ficam confinados em uma plataforma de petróleo em alto mar”, acrescenta.</p>
<p>Com o pré-sal, uma cadeira de formação que o vice-presidente do Cefet-Rio vê como promissora é em geologia, tanto em nível técnico como de geólogos propriamente. “O País precisa deles e temos poucos geólogos disponíveis.” Um curso técnico no Cefet-Rio dura três anos. A graduação em engenharia leva cinco anos. Mas a instituição atua em cursos de especialização em convênio com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). Dentro do programa, criado pelo Ministério de Minas e Energia, patrocinado pela Petrobras e com o apoio de entidades empresariais e industriais, são ministrados cursos de aperfeiçoamento nas áreas de petróleo e gás, em programas de três a nove meses, para profissionais do nível básico até universitários.</p>
<p>José Renato Ferreira de Almeida, coordenador do Prominp, afirma que a demanda do setor como um todo até 2015 será de cerca de 212 mil profissionais. É esse contingente que o programa espera treinar para atender a demanda não só da Petrobras, mas de todas as empresas que integram a cadeia produtiva de bens e serviços do setor.</p>
<p>Mota, do Cefet-Rio, cita como exemplo de demanda a construção de uma refinaria de petróleo, que leva cerca de quatro anos para entrar em operação. “Temos que pensar que um engenheiro leva cinco anos para se formar. Então o planejamento das atividades tem de levar em conta a formação das pessoas que vão operar essa refinaria”, explica o professor. “É preciso articular o investimento em infraestrutura e a formação de mão de obra. Senão, corre-se o risco de ficar com o parque vazio.”</p>
<p>“Se temos uma refinaria que vai ficar pronta em 2014, já em 2012 temos de fazer a seleção para contratar as pessoas, que estarão aptas até a refinaria ficar pronta”, explica Lairton Correa, gerente de gestão do efetivo da Petrobras. Todas as vezes que a estatal revisa seu plano de investimentos estratégicos, o departamento de recursos humanos acompanha o movimento. Atualmente, a empresa tem 58 mil funcionários. Se forem somados os que trabalham nas subsidiárias, coligadas e no exterior, esse total salta para 80 mil trabalhadores.</p>
<p>Segundo Correa, pelo atual plano estratégico da empresa, há necessidade de contratar 17 mil trabalhadores até 2015. “Isso significa que haverá processos seletivos para atender essa demanda, em todas as áreas”, diz. Ele conta que as profissões mais demandadas são para as áreas de exploração e produção de petróleo, além das competências voltadas para abastecimento. “Dentro desse grupo, o que mais procuramos são engenheiros, de diversas áreas.” Um engenheiro em início de carreira na Petrobras ganha um salário bruto de cerca de 6.200 reais. Porém, se trabalhar em uma plataforma, tem vários adicionais.</p>
<p>A Petrobras tem feito cerca de dois processos seletivos a cada ano. Como seu quadro de cargos e funções é diferente do que existe no mercado, a empresa admite pessoas com formação técnica e em engenharia e complementa as habilidades com cursos dentro da Universidade Petrobras (UP), que tem um volume diário de alunos de mil a 1,5 mil. “Em engenharia de petróleo, por exemplo, não há formação de mão de obra no mercado. Então, abrimos o processo seletivo para qualquer área em engenharia e complementamos a formação do profissional dentro da Petrobras”, conta Correa. O mesmo processo é realizado com os profissionais de nível técnico.</p>
<p>Segundo o gerente do RH da Petrobras, o tempo de formação interna dos profissionais varia de acordo com a função. Em média, são cerca de 18 meses. Um engenheiro da área de petróleo passa por um treinamento de 10 meses após ingressar na empresa. Já um geólogo fica nos bancos escolares por um ano. “Um administrador fica pronto em três meses. Tudo depende da profissão”, acrescenta Correa. No ano passado, a companhia de petróleo investiu 210 milhões de reais em treinamento do seu pessoal. Foram 190 mil pessoas treinadas. Ou seja, cada trabalhador passou por cursos mais de duas vezes no ano.</p>
<p>Preocupada com a falta de profissionais qualificados, a Odebrecht Óleo e Gás criou o Projeto Embarcar, que começa em 2012 e vai dar treinamento para profissionais que vão trabalhar embarcados. A companhia tem três sondas de perfuração no País e mais quatro vão chegar em meados de 2012. Por conta disso, reservou 5 milhões de dólares para dar treinamento aos funcionários dessas sondas somente no ano que vem. “Diante do cenário de gargalo profissional em que nos encontramos, o programa identificou que, se a empresa não investir na formação do trabalhador, a indústria terá um colapso”, afirma Marco Antônio Barbosa, coordenador do projeto. “Ou as empresas qualificam ou terão de importar profissionais.”</p>
<p>Segundo Barbosa, há uma gama ampla de cursos tanto no Brasil como no exterior que devem ser aplicados aos profissionais que trabalham embarcados. “Esses profissionais acabam valendo ouro no mercado. Uma empresa tira o trabalhador da outra. A preocupação hoje é quando eu vou formar e quanto, já que não se pode contratar um profissional sem experiência”, afirma.</p>
<p>O executivo da Odebrecht lembra que a companhia está entrando em uma concorrência para a construção de 21 plataformas em parceria com a Petrobras, o que dá uma dimensão da quantidade de profissionais que serão necessários. Em cada plataforma são cerca de 160 profissionais que trabalham embarcados, divididos em duas turmas, que se revezam de 14 em 14 dias.</p>
<p>Barbosa conta que o Projeto Embarcar tem duas vertentes: a primeira é cuidar dos trabalhadores que já estão na empresa e dar treinamento a eles nos períodos de folga. A segunda é treinar os profissionais que estão no mercado, sem experiência, mas que sejam oriundos de escolas técnicas e universidades que tenham sinergia com a atividade. “O tempo de treinamento depende da área em que o profissional vai trabalhar, mas o básico leva cerca de nove meses”, afirma. A primeira turma do Embarcar, com 98 profissionais, inicia o treinamento no ano que vem.</p>
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		<title>Cordel digital</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Dec 2011 18:43:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carta na Escola</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cordel]]></category>
		<category><![CDATA[cordel digital]]></category>
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		<category><![CDATA[tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tradição nordestina ganha espaço na rede com obras completas disponibilizadas por instituições ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<div id="attachment_61316" class="wp-caption alignleft" style="width: 221px"><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/cordel.jpg"><img class="size-medium wp-image-61316" title="cordel" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/12/cordel-211x300.jpg" alt="" width="211" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Tradição nordestina ganha espaço na rede com obras completas disponibilizadas por instituições. Foto: Reprodução</p></div>
<p style="text-align: left;">Popularizada em feiras livres da Região Nordeste do Brasil, onde seus<br />
folhetos impressos em papel pardo adornados por xilogravuras ficavam<br />
expostos em varais, a literatura de cordel também pode ser acessada via internet. Uma das principais fontes para tal é a Fundação Casa de Rui Barbosa, localizada no Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: left;">Repositório de literatura popular desde 1989, o órgão disponibilizou parte do acervo de 9 mil folhetos em um site especialmente construído para facilitar o acesso remoto.</p>
<p style="text-align: left;">Segundo Dilza Ramos Bastos, chefe de Serviço de Biblioteca da instituição, o trabalho começou em 2001. Inicialmente, a ideia era divulgar o material por meio de CDs e, depois, migrou para a rede.</p>
<p style="text-align: left;">A digitalização foi uma medida importante para a preservação do próprio acervo, que passou a ser menos manipulado por pesquisadores.</p>
<p style="text-align: left;">“Nós diminuímos a manipulação e facilitamos o acesso à informação visual do texto e das ilustrações”, explica. “Hoje são raros os casos em que precisamos dar acesso direto ao documento.”</p>
<p style="text-align: left;">A origem exata da literatura de cordel é difícil de ser pontuada. Formas literárias similares são encontradas em outros países, como França, Espanha e Portugal. Os romances ibéricos em versos, oriundos da tradição oral e posteriormente impressos em folhetos, e os desafios improvisados do Nordeste, são indicados por pesquisadores como algumas das forças criadoras do cordel. Surgido na primeira metade<br />
do século XIX em Pernambuco e na Bahia, a forma clássica do cordel atingiu o auge da produção entre 1930 e 1960.</p>
<p style="text-align: left;">Impressos em papel barato, os folhetos de cordel mediam cerca de 12&#215;18 centímetros e possuíam de oito a 32 páginas, ilustradas com imagens reproduzidas de jornais ou xilogravuras. Seus versos rimados relatavam desde temas tradicionais (como os romances de cavalaria medieval) até eventos sociais, econômicos e políticos brasileiros, como o fenômeno do cangaço ou o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954.Um dos primeiros cordelistas a imprimir e vender seus versos foi o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), autor de <em>Peleja de Manoel Riachão com o Diabo</em>, publicado, provavelmente, em 1889. Tal -folheto pode ser lido e impresso na íntegra pelo usuário por meio do site da Fundação Casa de Rui Barbosa (www.casaruibarbosa.gov.br/cordel).</p>
<p style="text-align: left;">Outras instituições como a Fundação Joaquim Nabuco, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e até mesmo a Biblioteca do Congresso norte-americano possuem acervos digitais semelhantes.</p>
<p style="text-align: left;">Atualmente, existem 2.340 folhetos digitalizados no banco de dados virtual da instituição, inaugurado em julho de 2008. A escolha das obras publicadas na rede procurou obedecer aos critérios de direitos autorais e de raridade. Por causa disso, apenas 25% dos 9 mil folhetos foi disponibilizado para o acesso via internet. O número corresponde aos autores que já caíram em domínio público ou cujos herdeiros autorizaram sua reprodução.</p>
<p style="text-align: left;">Para o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, todos os meios de comunicação acabam se constituindo como novos espaços de produção e divulgação dos cordéis. “Muita gente pensou no início que o rádio de pilha acabaria com a literatura de cordel. Pelo contrário, ele serviu como veículo de divulgação para os cordelistas e repentistas”, reflete o cordelista nascido na cidade cearense de Ipu, em 1937.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Onde encontrar</strong></p>
<p><strong><a href="www.casaruibarbosa.gov.br/cordel">Fundação Casa de Rui Barbosa</a></strong></p>
<p>Sem a necessidade de cadastro, é possível folhear e imprimir em baixa resolução os cerca de 2340 cordéis do acervo. No entanto, a mecânica de busca do banco de dados é um pouco complicada.</p>
<p><a href="www.ablc.com.br/"><strong>Academia Brasileira de Literatura de Cordel</strong></a></p>
<p>Possui um bom acervo de cordelistas contemporâneos, mas disponibiliza apenas capas e os versos em texto, sem a diagramação de um cordel impresso.</p>
<p><a href="http://digitalizacao.fundaj.gov.br/fundaj2/"><strong>Fundação Joaquim Nabuco</strong></a></p>
<p>Apresenta 41 folhetos de cordel do acervo da instituição na íntegra, em formato pdf.</p>
<p><a href="http://www.loc.gov/folklife/"><strong>Biblioteca do Congresso dos EUA</strong></a></p>
<p>Reúne informações, biografias e imagens de folhetos de cordel.O conteúdo, porém, está em inglês.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
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		<title>É muito estranho</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 13:56:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sírio Possenti</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[apologia ao erro de grafia]]></category>
		<category><![CDATA[erros de grafia]]></category>
		<category><![CDATA[lingua portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[Sirio Possenti]]></category>

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		<description><![CDATA[Basta que alguém descreva fatos de língua para que o texto seja lido como apologia do erro. É o verdadeiro sinal de pouco interesse real pela língua]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A reação, para mim, com anos de estrada, é  das mais previsíveis. Mas ela só ocorre no domínio da língua.</p>
<p>Se um zoólogo descreve um animal desconhecido, ninguém entende que se sugere que ele seja adotado e criado em casa, no lugar do gato, ou consumido, no lugar do peixe. Toma-se conhecimento da existência e de algumas características do animal. Enriquece-se o nosso catálogo. Sabemos mais do que sabíamos.</p>
<p><strong>Leia mais:</strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/sobre-erros-de-grafia/?autor=594">Sirio Possenti: Sobre erros de grafia</a></strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/politica/em-vez-de-o-objeto-ser-a-doenca-lula-vira-seu-portador/">Sirio Possenti: Lula é portador e doença não é objeto</a> </strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/carta-fundamental/lingua-que-bicho-e-esse/">Língua: que bicho é esse?</a></strong></p>
<p>Se um médico explica que o consumo de determinados alimentos engorda, ninguém se sente convidado a comer o que não comia, nem dirá que o médico deu maus conselhos à população.</p>
<p>Se um geógrafo descreve uma região desértica e mostra suas ricas fauna e flora, ninguém se sentirá incentivado a transformar a mata atlântica num deserto, só para ter “acesso” a novas espécies.</p>
<p>Mas basta que alguém descreva <strong>fatos de língua</strong> (pode ser um traço de um dialeto, como uma pronúncia regional, ou a relação entre as pronúncias e previsíveis erros de grafia) e pronto: o texto é lido como apologia do erro.</p>
<p>Como isso se repete sempre, parece bom repisar: saber explicar um erro de grafia não é propor que ele seja aceito (na edição de um livro ou mesmo na prova ou redação de um aluno). É apenas explicar, é jogar alguma luz sobre as razões pelas quais os mesmos fatos se repetem por séculos e séculos. É mais fácil aceitar que se trata apenas de descuido dos alunos ou de falta de rigor das escolas. O fato é repetir isso por séculos e séculos sem ler nada sobre o assunto é o verdadeiro sinal de pouco interesse real pela língua.</p>
<p>Achar que uma língua se resume a sua escrita é sinal de incrível pobreza intelectual. Afinal, a língua e suas variedades são talvez o mais clássico tema da humanidade.</p>
<p>Considerar óbvia a relação som/letra só é possível pelo desconhecimento elementar das complexas relações entre os dois domínios (sons e sua representação gráfica). Ora, ela é tanto uma questão intelectual, em sentido amplo, quanto é questão, psicológica, pedagógica, neurológica, psicanalítica, histórica.</p>
<p>É até uma questão industrial. Lendo alguns textos históricos (documentos de épocas diversas), tomando conhecimento de certos aspectos da relação entre escritores e editoras em diversas épocas, nosso queixo pode cair.</p>
<p>É mau sinal que não se conheça uma explicação mínima para grafias como “muinto” ou “tumati” ou “agente” (por “a gente”). Pior do que isso é pensar que tais explicações nem devem existir. Ou que não pode ser esclarecidas aos mais interessados: os alunos.</p>
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		<title>Metade dos jovens de 14 anos já superou escolaridade de suas mães</title>
		<link>http://www.cartacapital.com.br/sociedade/metade-dos-jovens-de-14-anos-ja-superou-escolaridade-de-suas-maes/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 11:31:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Agência Brasil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carta na Escola]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[escolaridade]]></category>
		<category><![CDATA[IBGE]]></category>

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		<description><![CDATA[A atual geração de crianças e jovens está superando a trajetória escolar de seus pais; números confirmam a baixa escolaridade de boa parte da população adulta]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Amanda Cieglinski, da <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-11-28/metade-dos-jovens-de-14-anos-ja-superou-escolaridade-de-suas-maes">Agência Brasil</a></strong></p>
<p><a href="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/11/EscolaridadeFilhoMae.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-59356" title="Escolaridade Filho x Mae Agência Brasil" src="http://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2011/11/EscolaridadeFilhoMae-300x235.jpg" alt="" width="300" height="235" /></a>Mais da metade (51,45%) dos adolescentes de 14 anos do país já têm escolaridade superior à de suas mães. Entre os jovens dessa faixa etária, 71% cursam os três últimos anos do ensino fundamental e 9,5% estudam no ensino médio. Os dados indicam uma baixa escolaridade das mães de alunos dessa faixa etária que apresentam, em média, 7,32 anos.</p>
<p>O levantamento foi feito pelo programa Todos pela Educação e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números indicam que a atual geração de crianças e jovens está superando a trajetória escolar de seus pais, mas também confirmam a baixa escolaridade de boa parte da população adulta.</p>
<p>“Nós temos muitos pais e mães que são muito jovens e eles já são fruto dessa inclusão recente que o país promoveu. A melhoria ainda é lenta, mas o fato é que quanto mais avançado é o ano em que a criança nasceu, maior é a chance que ela tem de completar o ensino médio”, explica a diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.</p>
<p>O aumento dos anos de estudo gera um movimento positivo que causará impacto nas próximas gerações, diz Priscila.  Para ela, a educação é o melhor investimento porque nunca retroage. &#8220;É muito difícil você encontrar alguém que admita que o filho tenha uma escolaridade menor do que a sua. Uma mãe que concluiu o ensino médio e um filho que não completou o ensino fundamental, por exemplo. São casos raríssimos”, acrescenta.</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/lei-antifumo-reduziu-concentracao-de-monoxido-de-carbono-em-mais-de-70-nos-ambientes-fechados/">Lei de Antifumo rendeu bons frutos em São Paulo</a> </strong><br />
<strong><a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/invista-na-rocinha/">Tão Gomes: Investir na Rocinha pode ser uma boa</a> <a href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/guardas-municipais-da-protecao-do-patrimonio-a-defesa-da-vida/"><br />
A importância das Guardas Municipais na sociedade</a></strong></p>
<p>Os dados compilados pela entidade também apontam a diferença de escolaridade entre famílias de alunos de escolas públicas e privadas. Enquanto, aos 14 anos, 60% dos estudantes da rede pública já atingiram a escolaridade de suas mães, na rede privada o percentual cai para 10%. Isso indica que as mães dos alunos dos estabelecimentos particulares têm escolaridade mais elevada. O mesmo cenário se repete na comparação entre famílias mais pobres e mais ricas.</p>
<p>A diferença entre os anos de estudo de pais e filhos também pode representar um obstáculo no desempenho do aluno. Pais menos escolarizados em geral se sentem despreparados para participar da vida escolar do filho. “Ele se sente acuado, acha que não pode ajudar e se envolver com os estudos do filho. Mas o importante é que a educação seja valorizada pela família, que ele seja um parceiro da escola para garantir que seu filho de fato aprenda”, pondera Priscila.</p>
<p>Entre estudantes negros de 14 anos, o percentual daqueles que estudaram mais do que suas mães é 56,33%, enquanto entre os brancos a taxa é quase 10 pontos percentuais menor. Segundo Priscila, o dado aponta que além do fator renda, há uma diferença de escolaridade entre mães negras e brancas &#8211; o primeiro grupo frequentou menos a escola do que o segundo.</p>
<p>A mesma desigualdade se verifica entre as regiões do país: enquanto no Sudeste menos da metade (47%) dos alunos de 14 anos atingiu a escolaridade de suas mães, no Nordeste esse grupo representa 58% da população nessa faixa etária.“A parte mais cruel da educação brasileira é a desigualdade. Em vez de ser um meio de superação, ela acaba reproduzindo e ampliando esse fosso”, avalia a diretora.</p>
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