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Reposicionamento de vida

por Vitor Knijnik — publicado 16/04/2013 16h14, última modificação 16/04/2013 16h14
Passei recentemente por um reposicionamento de vida, também conhecido como “morte” para os não adeptos do neoliberalismo
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Do Blog da Thatcher

Como todos sabem, passei recentemente por um reposicionamento de vida, processo também conhecido como “morte” para os não adeptos do neoliberalismo. Pra provar a eficiência do meu modelo, que não desperdiça nada e está sempre em crescimento, vim rapidamente postar alguma coisa aqui neste blog. A verdade é que com o Estado mínimo, até a morte é mais dinâmica.

Meu reposicionamento, porém, até agora, não tem sido dos mais satisfatórios. Esperava ser recebida pelo Deus Mercado, mas estou na fila (enorme, por sinal), com uma senha na mão, esperando o atendimento. Parece que me enviaram pra uma estatal dos anos 1980. Garanto que se houvesse uma ampla concorrência no além, o serviço seria melhor.

Já pude perceber que, obviamente, o além é capitalista (óbvio, pois os comunistas são ateus). No entanto, é um estado keynesiano: inchado e cheio de intervenções no dia a dia das pessoas. Por exemplo, pra que tanto anjo? Fica parecendo que houve uma crise e, pra manter a economia espiritual ativa, contrataram todo mundo. Uma espécie de New Deal divino. Tudo errado.

Mas acredito que minha chegada possa mudar essa situação. Pra começar, vou propor que façamos duros ajustes. Temos que aproveitar que anjo não tem sindicato e cortar a metade do pessoal. Só ficarão os que aceitarem contrato como PJ.

E não para por aí. Vamos privatizar os diversos setores: nascimentos, recepção de orações, análise de pedidos, milagres, morte, etc. Já imaginou um call center, provavelmente num país qualquer em desenvolvimento, pra receber a todas as orações?

Agora, talvez você se pergunte o que vou fazer caso meu projeto não dê certo. Não sei, só espero que esqueçam que fiz triplicar a pobreza das crianças na Inglaterra e apoiei o apartheid. Ou terei que enviar o messias Adam Smith para o sacrífico. Vai que funciona, né?