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Filme de ações

por Vitor Knijnik — publicado 09/08/2012 11h05, última modificação 09/08/2012 11h05
Ao contrário do que muitos imaginam, foi Bob Kane quem criou o Batman
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Ao contrário do que muitos imaginam, não foi o Alfred quem criou o Batman. Foi Bob Kane...

ATENÇÃO: ESSE POST REVELA PARTES IMPORTANTES DO ENREDO DO FILME O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE. FICA AQUI O ALERTA, APESAR DE QUE VOCE JÁ SABE COMO ESSE TIPO DE FILME COMEÇA, AVANÇA  E TERMINA.

Quando Bill Finger e eu criamos o Batman na década de 30, não imaginávamos o alcance que ele teria. Estávamos apenas interessados em pegar uma carona no sucesso de Superman para vender milhões de revistas. Para tanto, criamos um outro combatente do crime com as características que você conhece bem. É sempre assim, só acha quem não procura.

Nosso objetivo inicial foi plenamente atingido. Batman vendeu muitos exemplares e eu garanti meu emprego na DC Comics.  O que não podíamos prever, como efeito colateral,  é que o personagem ganharia a dimensão de um mito e entraria para a cultura popular do planeta.

E como todo mito, Batman passou a receber diversas interpretações e tratamentos. O homem morcegos já foi soturno, gótico, ingênuo, gay, intimista e existencial. Já defendeu mocinhas e indefesos de todos os tipos. A última aparição me parece a mais surpreendente. Nunca pensei no Batman com um paladino do mercado financeiro. O novo Batman lança mais um gênero: o filme de açoes.

Há um episódio chave em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Batman e Bruce Wayne (olha que coincidência) estão reclusos. Não dão as caras em Gotham City por longos 8 anos. O fato que motiva a saída de ambos do recolhimento é um ataque à bolsa de valores. O plano de Brane – o vilão – era transferir todos os seus bens de Bruce ao mercado, para depois assumir as organizações Wayne.

No entanto, para os corretores presentes no local, para os espectadores do cinema, a ação dos bandidos funciona como um ataque simbólico e prático ao coração do sistema financeiro mundial, e não um roubo qualquer. Dois policiais que fazem o cerco ao prédio da bolsa travam um diálogo, mais ou menos assim, que reforça essa impressão:

- Precisamos agir rápido. O dinheiro de todo mundo está aí dentro.

- O meu não. O meu está de baixo do colchão.

- Se não pegarmos esses caras, o dinheiro que você tem de baixo do colchão não valerá nada.

Em outro diálogo, Bruce pergunta a Alfred porque as organizações Wayne pararam de sustentar um determinado orfanato. O mordomo e tutor explica que as empresas só podem doar se elas tem lucro.

Após ficar sem dinheiro nem para abastecer o Batmóvel, o Homem Morcego toma uma surra sem precedentes do vilão. Humilhado e fraco, Bruce Wayne é jogado no fundo de um poço, do qual só uma pessoa escapou. Sinceramente, achei essa metáfora preguiçosa, muito evidente. Quebrado, fundo do poço, entendeu? Só faltou o roteirista localizar o buraco na Grécia.

Em resumo, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, como diz o título, tal qual um Federal Reserve, o banco central americano, para salvar o sistema financeiro e por consequência o mundo. A trilogia de Christopher Nolan acabou agora. Caso tivesse mais um filme, a trama giraria em torno de medidas austeras impostas à população de Gotham City para sair da recessão.

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