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Blog do Dickens: Culpa de Natal

por Vitor Knijnik — publicado 21/12/2011 12h05, última modificação 06/06/2015 18h20
Charles Dickens fala que só não reescreve Um Conto de Natal para os dias atuais porque, pelo que lê, não há mais empresários sovinas
Charles Dickens1

O escritor Charles Dickens

Dezembro não nos dá trégua. Ficamos nos despedindo como se não fôssemos nos encontrar em janeiro. É festa e troca de presentes todo dia. Acabei de chegar do amigo secreto do pessoal da editora. Dei um sabonete fino e uma loção para as mãos e ganhei um exemplar do livro Quem Mexeu no Meu Queijo, acompanhado da seguinte explicação: sei que você gosta de ler.

Nesta época do ano bate-me um sentimento de culpa insuportável. Vejo as pessoas gastarem o que têm e o que não têm e me sinto responsável por arruinar suas finanças. Pode ser até um delírio de grandeza (ou excesso de Prosseco) achar que a influência de algo que fiz em 1843 possa afetar ainda o comportamento das pessoas em pleno século XXI.

Mesmo que você não tenho pedido, eu preciso me retratar. Quando escrevi  Um Conto de Natal (A Christmas Carol) não imaginei que essa pequena história se tornaria o maior dos clássico natalinos e um dos textos mais divulgados da literatura universal. Foi algo que fiz despretensiosamente para um folhetim. Despretensiosamente em termos, porque, no conto, embuti algumas críticas à moral inglesa protestante que não considerava a avareza um pecado em si e encorajava todos a poupar e acumular capital.

 

 

E o que há de mau nisso? Ora, nesse época a Inglaterra se tornara a principal indústria do mundo à custa de sofrimento da população. E apenas um pequeno grupo usufruía do conforto gerado pela acumulação de capital. Não sei se vocês conseguem imaginar um absurdo desses.

 

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