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Erundina se propõe a auxiliar famílias que perderam casas

por Joseh Silva — publicado 12/05/2014 13h55, última modificação 12/05/2014 15h20
Em comunidade batizada com seu nome, deputada visitou 200 famílias desabrigadas e disse que “a Sabesp não exerce uma fiscalização onde o seu sistema existe”
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Favela da Erundina

Pichaçhão em parede de casa na Favela da Erundina

Na tarde de sábado 10, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) esteve no Jardim Ibirapuera, zona sul da capital paulista, para acompanhar a situação das 200 famílias que tiveram de abandonar suas casas inesperadamente por conta de rachaduras nos becos, vielas e paredes das residências. Erundina conversou com algumas lideranças comunitárias e se colocou à disposição para auxiliar no que fosse necessário.

Enquanto os líderes comunitários aguardavam a chegada da deputada, moradores, com o auxílio de profissionais da prefeitura, retiravam os móveis de algumas casas.

No lado da comunidade, chamada Favela da Erundina, em que as famílias foram obrigadas a sair, o cenário é de abandono e vazio. São poucas as pessoas que circulam pelas vielas. Depois da saída dos moradores, foram feitas algumas pichações criticando a Copa do Mundo e o prefeito Fernando Haddad (PT): “Copa pra quem? Mora em estádio? O povo quer moradia, Haddad”.

A deputada disse não ter muita força política, mas se dispôs em contribuir com a luta destas famílias. “Eu vim hoje para conversar com o população para saber no que posso ajudar, no que posso contribuir. Deixando muito claro que hoje eu não tenho o poder da caneta para resolver”.

Três hipóteses estão sendo investigadas para identificar qual o motivo do surgimento das rachaduras: vazamento de água, mina d`água ou obra do metrô. Erundina aponta que “a Sabesp não exerce uma fiscalização onde o seu sistema existe (...) A Sabesp esteve aqui e interrompeu um ponto da tubulação que estava rompida e que estava realmente distribuindo água no subsolo. E isso é uma das causas, pelo menos, num trecho da região, da infiltração dessa água, que evidentemente deve ter abalado a estrutura das casas. Então a Sabesp teria que vir e talvez fazer um mapeamento completo, não a partir apenas de casa que estão rachadas”.

O problema que despontou na Favela da Erundina dialoga com a falta de investimento em urbanização que há anos não é feita na cidade, segundo a deputada. Para ela, é necessário que voltem os mutirões, quando os próprios moradores são responsáveis pela construção das casas. Desta forma, o custo operacional é mais baixo e diversifica a solução. “Não pode haver apenas uma alternativa, como por exemplo, Minha Casa Minha Vida [Programa de moradia do Governo Federal].  Tem que ser mutirão, que é aquele que reduz custo. Reduz no mínimo em 40%. Tem que diversificar as soluções”.

Erundina aponta o mutirão com uma metodologia “pedagógica” de fazer com que a população adquira a consciência da sua força: “O mutirão aproveita a mão de obra da própria população, reduz de forma significativa os custos e organiza a comunidade. No mutirão, o grande ‘subproduto’ é a organização da comunidade, a formação da consciência da população sobre seus direitos, a consciência da sua própria força de lutar. Isso acaba criando uma comunidade de luta”.

Para lidar com a situação das favelas, que verticalmente cresceram bastante, Erundina assinala que é necessário urbanizar, ou problemas parecidos irão surgir. “No geral, como se dá o gerenciamento desse sistema de abastecimento de água na cidade? Sobretudo em regiões vulneráveis como está aqui? Muitas casas no solo pequeno; várias construções no mesmo espaço. Tem uma série de peculiaridades que torna o problema do gerenciamento do sistema de abastecimento mais grave. Isso vale para o gás, vale para a energia elétrica, vale para o sistema de abastecimento de água, vale para o sistema de esgoto. É urbanização, isso aqui tem que urbanizar”.