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Política

“Vai enterrar, a família vai sofrer e já era”

por Joseh Silva — publicado 08/08/2013 11h01
Três homens são baleados e dois morrem na madrugada desta quarta-feira na zona sul de São Paulo. Por Joseh Silva, do blog SPeriferia
Joseh Silva

Bar onde as vítimas estavam sentadas conversando

Na madrugada desta quarta-feira 7 três moradores do Jardim Ibirapuera, zona sul de São Paulo, foram baleados na porta de um bar (que estava fechado na hora do ocorrido). Cledison Almeida Freitas, 35 anos, José Dionísio, 56 anos, e Lucivaldo Cravo, conversavam por volta das 0h40 na rua Macedônio Fernandez, altura do número 313, quando um veículo Gol branco, com três indivíduos dentro, passou e efetuou os disparos.

Cledison levou 4 tiros. Ele morreu após uma hemorragia interna. Dionísio foi alvejado por 3 tiros e morreu por conta de uma parada cardíaca. Ambos foram levados por moradores para o hospital Regional Sul em Santo Amaro. Lucival levou 4 tiros e está internado na Santa Casa da mesma região.

Os moradores e uma das vítimas relataram que um Gol branco subiu a rua e na volta disparou contra os três. A policia chegou rápido no local, mas, devido à medida que vigora desde janeiro deste ano, em que a PM não pode socorrer vitimas de crimes, tiveram que aguardar o SAMU, que chegou cerca de 20min depois do fato, quando o último baleado havia sido socorrido por moradores.

Os familiares resolveram levar os feridos porque eles pediam socorro e estavam perdendo sangue. “O Cledison chegou agonizando, estava com um pouco de dificuldade para respirar, mas estava consciente. Eu pedia para ele apertar a minha mão se estivesse me ouvindo”, relata Michel Souza, morador que ajudou no socorro.

Michel também acompanhou, em seguida, a entrada do Dionísio. “Ele era o mais consciente. Estava muito tranquilo. Eu tinha certeza que ele iria sobreviver”. Lucivaldo respira com o auxilio de aparelhos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O estado dele é grave.

O filho de Dionísio, Edvaldo Lemos, questionou a um policial se tinha como saber quem havia feito aquilo: “Se fosse rico, tivesse dinheiro, pagava um investigador e dava para descobrir, mas, como é pobre, vai enterrar, a família vai sofrer e já era”.

Sebastião Almeida, 67 anos, pai de Cledison afirmou que o filho estava em casa e saiu para comprar cigarros, “ele encontrou os amigos e ficou conversando”. Almeida estava desempregado, mas trabalhava ajudando os moradores da região com diversos afazeres. Carregar material de construção era o mais comum.

Desnorteados

Os moradores da região estão buscando uma reposta lógica para o fato, mas não encontram. Os três não tinham inimigos, tinham uma boa relação com a comunidade. Lucivaldo subia a rua todos os dias por volta 06h30 para ir ao trabalho; Dionísio era aposentado e doente e Cledison ajudava as pessoas no que podia.

Estão todos sem entender quais são os motivos que pessoas teriam para atirar contra os três. O que fica evidente é que não é a primeira vez que casos de carros passando e atirando acontece na cidade; As armas utilizadas são de diversos calibres, alguns, pesados; Quem atirou, sabia manusear com prática as armas; A fuga dos atiradores foi sem pressa. São muitos indícios semelhantes a casos que vem acontecendo de 2012.