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A sessão nostalgia do Canal Viva

por Nirlando Beirão publicado 12/11/2014 01h57, última modificação 12/11/2014 10h22
O canal a cabo seduz com As deliciosas imperfeições do passado
Reprodução

Fenômeno de audiência, o canal Viva (43 na Net, 35 na Sky) acerta com a aposta de que a televisão, embora faça do aggiornamento tecnológico e da inovação dramatúrgica uma obsessão doentia, pode de vez em quando se dar ao luxo de uma nostálgica espiadinha no passado.

O ibope estourou com o replay integral de Dancin’Days, a novela de antologia de Gilberto Braga. À véspera do segundo turno, enquanto as irmãs-rivais Julia e Yolanda se estapeavam e rolavam no chão com ódio digno de inimigos políticos, o canal batia o recorde de audiência na tevê paga. Era o último dos 174 capítulos da novela. No todo, o público do Viva cresceu 150% este ano.

Assistir a Dancin’Days não é só um aconchego de saudade. É testemunhar o desabrochar do talento de Gilberto Braga, em tempos pré-Projac de improvisações e de precariedades técnicas (o som, por exemplo, é trágico). O autor já vivia suas obsessões temáticas, Copacabana, os visionários, as cinderelas, os aproveitadores – sem moralismo e até com uma pitada de indulgência.

Dancin’Days é o promissor Gilberto Braga, mas, sobretudo, é Sonia Braga, em desempenho que superou até o de sua soberba Gabriela. Sonia entrou na Justiça cobrando do canal Viva os direitos de imagem que lhe são devidos. Não há de ser cumprindo suas obrigações legais que a emissora, do Sistema Globo, vai comprometer sua afortunada trajetória.

*Reportagem publicada originalmente na edição 825 de CartaCapital, com o título "Sessão nostalgia"

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