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Herdeiros de Capone tentam, sem sucesso, ser os Sopranos

por Nirlando Beirão publicado 15/07/2014 04h48, última modificação 15/07/2014 05h02
The Capones, reality show americano que acaba de estrear no Brasil, persegue o toque de Fellini. Mas não inova nada
The Capones

Exagero pseudo-felliniano de um clã disfuncional

Não me consta que Federico Fellini tenha se ocupado da Máfia mais do que, digamos, da Igreja Católica. Em seu reality show que acaba de estrear no Brasil (às terças-feiras, 20h40, canal TLC), o produtor americano Dominic Capone, aliás Dom Capone, tenta de algum modo suprir essa lacuna. Procura conferir o toque de exagero felliniano a uma família de Chicago, cujo estatuto disfuncional começa pelo sobrenome. Eles são os Capone, todos eles, a começar pelo próprio produtor, descendentes do famigerado Alphonsus Gabriel, aliás, Al Capone, o inimigo número 1 da América nos anos tenebrosos da Prohibition.

Se Dom Capone, sobrinho-neto do capo e dono de uma pizzaria, persegue o toque de Fellini, só arranha a superfície. Fellinianas são as cinturas rotundas dos homens e fellinianos são os surtos kitsch das mulheres, mas seria pedir demais a um reality show suburbano qualquer tipo de sofisticação alegórica e sutileza narrativa à altura do mestre de Rimini. Flagrados em sua rotina medíocre, dando tiros inofensivos para o ar e despejando suas paixões sobre um prato de lasanha, sugerem que a única coisa digna de atenção naquela famiglia foi o ilustre antepassado, e ninguém mais.

Nem de Família Soprano, a série protagonizada por James Gandolfini, The Capones se aproxima. A saga criada por David Chase inovou a linguagem do seriado e entrou no bolo que levou para a tevê a inspiração que antes pertencera ao cinema. The Capones não inova nada.