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Futebol, entre a arte e a grosseria

por Nirlando Beirão publicado 11/06/2014 03h54
"Atrás da Bola", documentário que estreia nesta sexta-feira 13, mostra quão ridículo é o #nãovaiterCopa. Por Nirlando Beirão
Reprodução
Vik Muniz

Vik Muniz no estádio Azteca, na Cidade do México: o futebol precede a cultura

No gênero futebol-é-uma-arte vai ser difícil imaginar coisa melhor – pelo menos antes de ver Messi entrar em campo – do que o documentário This Is Not a Ball (na versão brasileira, escapando da citação duchampiana, Atrás da Bola) que a Netflix vai liberar para a tevê no day after da abertura da Copa.

Quem ancora e codirige o documentário, produzido para uma tevê norte-americana de sotaque chicano, a Televisa, é Vik Muniz, cujo prestígio internacional no campo dos pincéis é igual ao que Paulo Coelho tem no território das letras. Vik mapeia mundo afora a paixão pelo futebol à medida que vai tecendo uma obra de dimensões continentais, um site specific de 10 mil bolas de futebol produzidas num vilarejo do Paquistão e reunidas, de forma a simular a Brazuca da Copa, primeiro no Estádio Asteca do México e depois num terreno baldio do Vidigal, onde crianças da favela sonham, nos malabarismos com a gorduchinha, com um futuro que lhes permita se esquivar da tentação do tráfico.

Dá boa liga a mistura arte e futebol. Na percepção de que “o futebol tem seus momentos de arte” (segundo o artista mexicano Gabriel Orozco), Vik Muniz tenta desvendar o fascínio do único esporte realmente das multidões, a audiência de uma final de Copa contada em bilhões de espectadores. Manifestações contra a Copa, no Rio, entram no documentário. As imagens, contrariadas, acompanham os protestos logo após uma comovente cerimônia da bola num templo tao de Kyoto. Fica claro que o #nãovaiterCopa é de um planetário ridículo.


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