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'Pé na Cova' traz no deboche a tradição das chanchadas

por Nirlando Beirão publicado 28/06/2014 05h20, última modificação 28/06/2014 05h21
Terceira temporada da produção global traz o mais burlesco casal da televisão, formado por Marília Pêra e Miguel Falabella
Divulgação

Falar de Pé na Cova às vésperas de mais uma apresentação da cadavérica seleção do Felipão é incorrer no sério perigo de atiçar as aves de mau agouro. Mas vale a pena o risco, pois a terceira temporada está no ar (Globo, às terças-feiras, depois de Tapas & Beijos, como diz a emissora) e traz de volta o mais burlesco dueto da tevê brasileira: Marília Pêra e Miguel Falabella.

Pé na Cova brinca com um tema mortalmente sério a bordo de um humor excessivo, extravagante, que traz no deboche a tradição das antigas chanchadas da Atlântida e da Praça Tiradentes, mas que evita, ao contrário, virar pelo avesso, o apelo fácil das preconceituosas piadas das zorras totais, em que as loiras e os gays são crucificados no altar da mediocridade.

Miguel Falabella, que escreve, atua e improvisa, tem a manha da ribalta. Os personagens, a começar pelo seu, o Ruço, dono de uma pequena funerária do subúrbio (Irajá é uma evocação literal), são de uma inverossimilhança proposital, caricatos a ponto de parecerem reais.

Marília Pêra, aliás Darlene, sua ex-consorte, é a maquiadora de cadáveres que busca na vodca o combustível para exercer seu macabro ofício. O sumiço dela (da atriz e da personagem) foi atribuído a um período de rehab na clínica do Dr. Zoltan (Diogo Vilela), sinistro cientista de visual metrossexual inspirado no esquisito Dr. Rey.

Odete Roitman, filha do Ruço, foi casada com uma lésbica, fez inseminação artificial com o sêmen de um travesti, mas parece estar grávida é de um chinês. Faz algum sentido? A bem da comédia rasgada, não faz, não. O outro filho do Ruço, Alessanderson, garoto contido, virou vereador. Encontrou na política o seu jeito de imergir em toda aquela hilariante patologia.