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As trapaças da morte. Por Nirlando Beirão

por Nirlando Beirão publicado 07/06/2013 12h47, última modificação 07/06/2013 13h29
O "Memórias do Chumbo: o Futebol nos Tempos do Condor" tem conseguido driblar, com ginga de Mané Garrincha, os lugares-comuns do nosso maltratado ludopédio
Estadão Conteúdo
Pelé

Simbologia. Pelé apertou a mão de Médici e legitimou a ditadura

O futebol do Brasil é uma estufa de sentimentos preconceituosos e de exaltações autoritárias. Daí o triunfo de figuras como o Felipão, sargentão com compaixão, tratado pela cupinchada midiática como salvador da pátria – pelo menos aquela de chuteiras.

Por isso é agradável ser surpreendido, às vésperas de mais um indigente fiasco da Família Scolari, com a reprise de um documentário como Memórias do Chumbo: o Futebol nos Tempos do Condor, exibido numa emissora, a ESPN Brasil, que tem conseguido driblar, com ginga de Mané Garrincha, os lugares-comuns do nosso maltratado ludopédio.

Dos quatro episódios dirigidos pelo jornalista Lúcio de Castro, cada um deles sobre um dos países da multinacional do terror que operou no Mercosul nos anos 1970, assisti ao que retrata o Chile (os outros são Brasil, Argentina e Uruguai). Agora que até o Brasil malemolente da autoanistia dos torturadores começa a buscar a verdade sobre aqueles dias de terror, mostrar como o futebol e os futebolistas se comportaram serve para ­acuar algozes, consolar vítimas e iluminar a História.

A comparação, porém, não nos faz bem. No Chile, 9 meses após o sangrento golpe de 11 de setembro de 1973, o endiabrado ponteiro Caszely decidiu se esquivar da mão estendida do ditador Pinochet (a mãe dele, presa e torturada, pagou pela coragem do filho). No Brasil, Pelé e os canarinhos de 1970, depois do expurgo ideológico que vitimou João Saldanha, compraziam-se em festejar o ditador Médici.

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