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Política

Operação Lava Jato

Odebrecht promete acordo de delação premiada

por Redação — publicado 23/03/2016 13h01, última modificação 23/03/2016 13h28
Grupo anunciou "colaboração definitiva" com as investigações; planilhas de 1988 indicam que contabilidade de propina existia há pelo menos 30 anos
Marcelo Odebrecht

Além de Marcelo Odebrecht, outros quatro executivos devem participar do acordo

Um dia após ser o principal alvo da 26ª fase da Operação Lava Jato, o grupo Odebrecht anunciou uma "colaboração definitiva" com as investigações, fechando acordos de delação premiada de seus principais executivos, incluindo o ex-presidente Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015.

Batizada de "Xepa", a nova fase enfoca o suposto esquema de contabilidade paralela na Odebrecht, destinado ao pagamento de propinas e vantagens indevidas a terceiros. Segundo os investigadores, o "setor de operações estruturadas" era organizado de maneira profissional e armazenava dados referentes aos pagamentos ilícitos.

Documentos datados de 1988, porém, revelam indícios de que a contabilidade paralela e o pagamento de propina em troca de contratos com o poder público já faziam parte da prática da empreiteira há pelo menos 30 anos, segundo informações da reportagem do jornal O Globo.

As planilhas, alguma delas escritas à mão, circularam no departamento financeiro da empreiteira em Salvador e chegaram à força-tarefa da Lava Jato em Brasília no ano passado. Além de recibos de transações bancárias e remessas ao exterior, as planilhas contêm codinomes de políticos e valores ligados à obras públicas. As evidências, porém, não podem ser utilizadas como provas de corrupção dentro da empreiteira porque tratam-se de crimes já prescritos. 

Além de Marcelo Odebrecht, outros quatro executivos pretendem fazer o acordo de delação: Márcio Faria e Rogério Araújo, ainda presos, e Alexandrino Alencar e Cesar Ramos, em liberdade. 

Devido à proximidade do ex-presidente do grupo Odebrecht com os governos Lula e Dilma e da possibilidade das investigações atingirem também parlamentares incumbidos de realizar o processo de impeachment, a tendência é que a delação de Odebrecht tenha potencial explosivo.

"Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato - que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país - seguimos acreditando no Brasil", diz a nota oficial divulgada pelo grupo Odebrecht.

A empreiteira também deve fazer um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, cujo valor da multa ainda está em negociação. Em seu acordo de leniência, a Andrade Gutierrez pagou R$1 bilhão.