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Na Alesp, PM tinha ordem para barrar CartaCapital

por Redação — publicado 04/05/2016 18h22, última modificação 04/05/2016 18h31
"A ordem que veio lá de cima era pra não deixar eles entrarem", disse policial a jornalista
Alesp
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Estudante pedem realização de CPI para investigar a máfia da merenda em São Paulo

Dois jornalistas de CartaCapital foram momentaneamente barrados na entrada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na tarde desta quarta-feira 4 ao tentar realizar a cobertura da ocupação do Plenário da Casa iniciada na terça-feira 3 por estudantes secundaristas.

De acordo com um policial militar que participava da segurança, a ordem para impedir a entrada dos jornalistas partiu diretamente da presidência da Alesp, hoje aos cargos de Fernando Capez (PSDB).

Em uma das tentativas de entrar no prédio que abriga os deputados estaduais, 40 minutos depois do primeiro pedido de autorização feito para a assessoria de imprensa da presidência da Alesp, o editor de vídeo de CartaCapital, Yghor Boy, foi confundido por um dos PMs que fazia a segurança com um jornalista de outro veículo. 

O PM, então, apontou para um jornalista que acreditava ser de CartaCapital e disse: "Aquele ali, por exemplo, é da CartaCapital. Ele deve ter feito alguma coisa que realmente encheu o presidente, porque a ordem que veio lá de cima era pra não deixar eles entrarem", disse o PM. "Eles disseram: 'fala pra eles aguardarem aí, dá alguma desculpa, mas não deixa eles entrarem".

No momento deste diálogo, a PM, seguindo as ordens da assessoria de Capez, já havia liberado a entrada de jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo e dos portais G1 e R7, que haviam chegado ao local após a reportagem de CartaCapital.

A equipe de CartaCapital só conseguiu entrar após um contato direto entre a redação e a assessoria de Capez, que ligou diretamente para os PMs responsáveis pela segurança da Alesp determinando a entrada dos jornalistas. Procurada para emitir uma resposta oficial sobre o ocorrido, a assessoria da presidência da Alesp disse que não se manifestaria.

Fernando Capez
Capez: ele foi citado por delator como integrante do esquema de desvio de dinheiro da merenda escolar (Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil)

Como revelou CartaCapital no início de abril, o lobista Marcel Júlio, principal delator no esquema de desvio de verbas da merenda escolar, citou nominalmente Fernando Capez como integrante do esquema, que atinge parte importante do primeiro escalão do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Também no início de abril, CartaCapital mostrou que parentes de Capez entraram na mira do Ministério Público.

No fim do mês passado, por conta dessa reportagem, um cunhado de Capez, Rogério Auad Palermo, ameaçou o repórter de CartaCapital Henrique Beirangê, atitude classificada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo como uma tentativa de "intimidar o profissional e, pela força, censurar a revista" e passível de investigação pela polícia paulista e pelo Ministério Público.

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