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Lava Jato: PGR quer investigar Pezão, Tião Viana e Fernando Bezerra

por Redação — publicado 13/03/2015 10h03
Os governadores do Rio de Janeiro e do Acre e o senador pernambucano são os novos nomes na "lista de Janot"

O senador Fernando Bezerra (PSB-PE) e os governadores do Rio de Janeiro e do Acre, Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Tião Viana (PT), respectivamente, passaram a figurar na quinta-feira 12 na lista de pedidos de investigação feita pela procuradoria-geral da República no âmbito da Operação Lava Jato. Além deles, o ex-governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB) e seu ex-secretário da Casa Civil Régis Fichtner também podem ser investigados.

Os casos de Pezão e Viana estão sob os cuidados de Ela Wiecko, vice de Rodrigo Janot no Ministério Público Federal (MPF). Ela pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância onde os governadores devem ser investigados, a abertura de dois inquéritos, que foram aceitos pelo ministro Luis Felipe Salomão.

O primeiro trata das autoridades fluminenses e é baseado em depoimento do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. O delator afirmou que Pezão agiu juntamente com Sérgio Cabral e Régis Fichtner para solicitar a ele e receber vantagem econômica indevida de 30 milhões de reais de empresas contratadas pela Petrobras para construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo a vice-PGR, a revelação de que Paulo Roberto Costa atuava junto às empreiteiras na composição do caixa da campanha eleitoral de 2010 do PMDB está alinhada com o que disse o doleiro Alberto Youssef, outro delator da Lava Jato.

O pedido de inquérito acrescenta informações sobre os doadores das eleições de 2010, disponibilizado no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral. Existem aportes financeiros das empresas Alusa (500 mil reais), Odebrecht (200 mil reais) e UTC (1 milhão de reais) no comitê financeiro único do PMDB/RJ e da OAS, sendo 400 mil reais no comitê financeiro da Direção Estadual do PMDB/RJ e 1 milhão de reais no comitê financeiro da chapa Sérgio Cabral/Luiz Fernando Pezão. Todas essas empresas são investigadas em processos da Operação Lava Jato que correm na Justiça Federal em Curitiba, sob os cuidados do juiz Sergio Moro.

O ministro Salomão, do STJ, já autorizou as primeiras diligências solicitadas pela PGR. Entre elas, a Polícia Federal deverá coletar no Hotel Caesar Park, em Ipanema, no Rio, informações e documentos – incluindo imagens e registros de entrada e saída – relacionados a uma reunião realizada no primeiro semestre de 2010 em um de seus quartos, possivelmente locado por Regis Fichtner. A PF terá 60 dias para ouvir Cabral e Fichtner, além dos executivos Cláudio Lima Freire (da empresa Skanska), José Aldemário Pinheiro Filho (OAS), Ricardo Ribeiro Pessoa (da UTC), César Luiz de Godoy Pereira (Alusa), Ricardo Ourique Marques (Techint), Rogério Santos de Araújo e Márcio Faria da Silva (ambos da Odebrecht).

No caso envolvendo Tião Viana, Paulo Roberto Costa informou que o governador petista solicitou e recebeu vantagem econômica indevida de 300 mil reais de recursos de propina recolhidos junto a empresas contratadas pela Petrobras no ano de 2010 como auxílio para sua campanha. As referências estão acompanhadas de anotações realizadas em agenda apreendida durante busca determinada pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Nos autos que envolvem o governador do Acre, o MPF solicitou, além do depoimento dele e informações sobre as doações de campanha, documentos em posse do juiz Sergio Moro.

Fernando Bezerra e Eduardo Campos

O caso do senador Fernando Bezerra corre no STF. O MPF enviou na quinta-feira 12 o pedido de investigação, que será avaliado pelo ministro Teori Zavascki, responsável pelos inquéritos dos políticos investigados pela operação no Supremo.

Em depoimento de delação premiada, Paulo Roberto Costa disse que Bezerra, então secretário de Desenvolvimento de Pernambuco e diretor do Porto de Suape, em 2010, pediu 20 milhões de reais para a campanha do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto no ano passado durante as eleições presidenciais. Segundo Costa, os valores teriam sido pagos pelo doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor disse que ficou sabendo do fato por meio de Youssef.

Em nota divulgada por sua assessoria, Fernando Bezerra disse que recebeu com “perplexidade” a inclusão de seu nome entre os políticos investigados. O senador criticou o fato de ter sido incluído na lista uma semana após a divulgação dos nomes dos parlamentares citados pelos delatores. Bezerra disse ainda que os encontros que teve com Costa foram estritamente institucionais.

“O senador reafirma que em 2010 não ocupou nenhuma coordenação na campanha à reeleição do ex-governador Eduardo Campos. Não conhece nem teve contato com o senhor Alberto Youssef, como confirma o próprio depoimento do doleiro. A generalidade da referência ao nome do senador Fernando Bezerra Coelho não converge para uma circunstância mínima capaz de justificar a abertura de investigação. Fernando Bezerra Coelho está tranquilo e preparado para responder a todos os questionamentos necessários e colaborar com a Justiça. Além disso, está confiante, como sempre esteve, que ao final das investigações irá provar sua inocência”, diz a nota.

Com informações da Agência Brasil