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Política

Operação Lava Jato

Lava Jato: ex-deputado Pedro Corrêa é condenado a 20 anos de prisão

por Henrique Beirangê publicado 29/10/2015 16h45
O ex-parlamentar intermediou o recebimento de 357 milhões de reais pelo PP durante a vigência do esquema de corrupção
Wilson Dias / ABr

O ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP) foi condenado a 20 anos, sete meses e dez dias de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema de desvios investigado pela Operação Lava Jato na Petrobras. De acordo com o Ministério Público Federal, Corrêa seria o responsável pelo repasse da propina a políticos do PP por conta das fraudes na diretoria de Abastecimento da estatal, chefiada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012.

Segundo os investigadores, o PP teria recebido cerca de 357 milhões de reais por conta do esquema nesse período. Correa ficou com 40,7 milhões, de acordo com a acusação. 

Os pagamentos eram intermediados por meio de Alberto Yousseff. O doleiro fazia uso de seu funcionário Rafael Ângulo Lopez para as entregas pessoais e de depósitos em contas do ex-deputado.

O MPF também acusou o ex-parlamentar e sua filha, a também ex-deputada federal Aline Corrêa, e seu ex-assessor, Ivan Vernon, de peculato. As investigações apontaram que eles teriam nomeado Reinasci Cambui de Souza a um cargo de secretária parlamentar na Câmara dos Deputados entre 2012 e 2013, mas que ela nunca teria comparecido para trabalhar. 

A funcionária esteve nomeada no gabinete inicialmente para prestar serviços para o deputado e posteriormente para sua filha. Os vencimentos da funcionária, na verdade uma empregada doméstica de Vernon, seriam desviados para o grupo. O mesmo esquema teria funcionado para a nomeação de uma outra funcionária chamada Vera Lúcia Leite Souza Toshiba.

Na decisão, o juiz Sérgio Moro destaca que o ex-parlamentar teria recebido propina mesmo durante o julgamento do "mensalão". “O mais perturbador, porém, em relação a Pedro Correa consiste no fato de que praticou o crime inclusive enquanto estava sendo julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470, havendo registro de recebimento de propina até outubro de 2012. Nem o julgamento condenatório pela mais Alta Corte do País representou fator inibidor da reiteração criminosa, embora em outro esquema ilícito”, afirma o magistrado.

Correa cumpria pena no regime semiaberto por condenação no julgamento do "mensalão" quando foi preso em 10 abril por ordem de Moro. Ele está detido no Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná. O ex-parlamentar está em processo de negociação de delação premiada e deve ter as penas por conta da Lava Jato diminuídas após a homologação do acordo.

Na sentença desta quinta-feira 29, também foram condenados Vernon a cinco anos de reclusão, cumprida inicialmente em regime semiaberto, e Ângulo Lopez a 15 anos. Como Lopez fez delação premiada teve a pena reduzida a dois anos de reclusão em regime domiciliar.