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Política

Operação Lava Jato

Zelada, o homem que preocupa Temer, é condenado

por Henrique Beirangê publicado 01/02/2016 16h53, última modificação 01/02/2016 19h26
Ex-diretor da área Internacional da Petrobras foi condenado a 12 anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Geraldo Magela/ Agência Senado/ Fotos Públicas
Jorge Zelada

Ex-diretor da Petrobras, Jorge Zelada faria parte da cota do PMDB no esquema da Petrobras

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, foi condenado a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Zelada também foi condenado a pagar uma multa de 123 milhões de reais por participação no recebimento de 31 milhões de dólares pela fraude na aquisição da sonda Titanium Explorer da empresa americana Vantage Drilling ao custo de 1,81 bilhão de dólares.

O ex-diretor faria parte da cota do PMDB no esquema da Petrobras. Na gravação que levou o senador Delcídio Amaral à cadeia, ele afirma que o vice-presidente, Michel Temer, estaria preocupado com uma eventual delação de Zelada. 

Zelada foi preso em julho do ano passado e teve cerca de 10 milhões de euros bloqueados em contas bancárias no exterior. 

O juiz Sérgio Moro também condenou o lobista João Augusto Rezende Henriques a seis anos e oito meses de detenção. 

Henriques afirmou em depoimento que mandou “um milhão e pouco” de dólares para uma no exterior que teria como beneficiário final o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 

No trecho sobre a condenação de Henriques, Moro ressaltou o envolvimento de Cunha na sentença. “Agrego, além dos indícios de profissionalismo na prática de crimes de corrupção e lavagem, a gravidade em concreto não só do crime que é objeto da presente ação penal, mas dos crimes por ele admitidos como o pagamento de propina ao atual Presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na linha da sucessão presidencial”. 

Também foi condenado o ex-gerente Eduardo Musa a 11 anos e oito meses de prisão. Subordinado de Zelada, ele também foi acusado de participação no esquema e de recebimento de propinas. O lobista Hamylton Padilha pegou 12 anos de prisão, mas como fechou colaboração premiada teve a pena reduzida para quatro anos em regime aberto diferenciado, quando o condenado tem restrições de saída à noite e aos finais de semana. 

Zelada e Henriques já haviam sido condenados a quatro anos de prisão pela justiça federal do Rio de Janeiro por causa de fraudes em uma licitação envolvendo a construtora Odebrecht. A defesa de Zelada vai recorrer de ambas condenações.