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Política

Operação Lava Jato

Em CPI, Barusco reafirma conteúdo de delação

por Redação — publicado 10/03/2015 17h25
Ex-gerente da Petrobras confirma início de propinas em 1997 e estimativa de que o PT ficou com ao menos US$ 150 milhões desviados
Antonio Cruz / Agência Brasil

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, o ex-gerente da estatal Pedro Barusco confirmou as partes mais contundentes dos depoimentos prestados à Polícia Federal após firmar um acordo de delação premiada em meio às investigações da Operação Lava Jato: Barusco reafirmou o fato de ter começado a receber propina em 1997, ainda sob o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e a estimativa de que o PT recebeu de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões entre 2003 e 2013. Ele não forneceu detalhes sobre o primeiro fato nem provas sobre o segundo.

“Comecei a receber propina em 1997, 1998. Foi uma iniciativa minha, pessoal. De forma mais ampla, com outras pessoas da Petrobras, a partir de 2003, 2004”, disse Barusco após ser questionado pelo relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-SP). Barusco, porém, ressaltou que não daria detalhes do esquema. “Com relação a esse período eu não vou tecer maiores detalhes, existe uma investigação em curso que me dá o direito de não comentar esses detalhes”, disse. Segundo Barusco, o MPF e o governo holandês estariam realizando essa investigação. “Não vou entrar em detalhes sobre esse período. O que tenho a detalhar estou fazendo com o Ministério Público”.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) criticou a postura de Barusco. Ela destacou que o depoimento dele era de “meias verdades” e criticou: "Nós queremos aqui investigar os governos passados e o governo presente". " Estão querendo fazer uma meia CPI", completou.

Ao ser questionado sobre como era dividido o montante desviado, Barusco disse que não sabe exatamente quanto era repassado ao partido, mas garantiu que um percentual da propina ia para o PT. “Cabia a mim uma quantia que eu recebi e ao PT outra quantia. Eu estimo que cabia a ele [ao partido] ter recebido entre US$ 150 e 200 milhões. Não sei como o João Vaccari Neto [tesoureiro do PT] recebeu, se recebeu. Se foi doação oficial, se foi conta no exterior. Sei que existia uma quantia de propina para o PT”, afirmou o ex-gerente. Barusco disse ainda que não tem condições de afirmar se o dinheiro foi efetivamente entregue ao partido por Vaccari Neto.

Barusco disse que se reuniu com Vaccari Neto a fim de tratar do pagamento de propina ao partido no esquema de desvio de dinheiro que envolveu a petroleira, empreiteiras e políticos. Barusco informou ter conhecido Vaccari durante uma reunião com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. “Os encontros com Vaccari, via de regra, eram em hotéis e duravam cerca de uma hora. Eu não participava de todas as reuniões; normalmente quem recebia o Vaccari era o Duque.”

Antes, Barusco havia sido questionado pelo deputado Afonso Florence (PT-BA) se tinha provas de que o tesoureiro do PT recebia parte da propina. "Que provas o senhor tem de que Vaccari Neto o obrigou a participar de ilícitos?" “Eu contei a verdade para a Polícia Federal e o Ministério Público [Federal]. Contei a verdade, mas não tenho a documentação. Contei como acontecia, [como eram] os encontros, a divisão [da propina], simplesmente falei o que eu sabia”, respondeu Barusco. O ex-gerente disse não saber quem autorizou Vaccari a se relacionar com as empresas. "Mas o fato é que ele atuava, sim", disse Barusco, que garantiu jamais ter feito pagamentos ao tesoureiro do PT.

Barusco relatou à CPI que a propina paga pelas empresas contratadas pela Petrobras variava entre 1% e 2% dos valores dos contratos. Do total desviado, metade era destinada para o PT, por meio de João Vaccari, e metade para a "casa” [diretores da Petrobras envolvidos no esquema]. Ele citou os nomes de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras; Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, e Roberto Gonçalves, que o sucedeu na Petrobras.

Com informações da Agência Brasil