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Dilma critica vazamentos e rebate suposta delação de Delcídio

Presidente atribui delação a desejo de vingança "de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou"
por Agência Brasil publicado 04/03/2016 20h57, última modificação 04/03/2016 21h00
Roberto Stuckert Filho / PR
Dilma Rousseff

Dilma fez pronunciamento ao lado de ministros para se defender da suposta delação de Delcídio

Por Paulo Victor Chagas

A presidenta Dilma Rousseff fez, na tarde desta sexta-feira 4, um pronunciamento em que se disse inconformada e indignada com a notícia de um suposto acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e contestou as informações sobre o que teria dito o parlamentar nos depoimentos. Dilma afirmou que é "absolutamente subjetiva e insidiosa a fala do senador, se [é que] ela foi feita", e considerou descabidos alguns fatos relatados por Delcídio, segundo a revista Istoé.

Dilma convocou a imprensa para fazer uma forte defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos alvos da 24ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (4). No pronunciamento, a presidenta refirmou o teor de nota publicada na tarde de hoje, manifestando "absoluto inconformismo" com a condução coercitiva do ex-presidente e classificando de "desnecessária" a medida.

Pelo menos três citações da revista Istoé sobre o suposto depoimento de Delcídio no âmbito da Lava Jato foram contestadas pela presidenta. Dilma negou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, na tentativa de "mudar os rumos" da Lava Jato.

Disse que os esclarecimentos sobre a compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2014, já foram devidamente prestados, embasados em documentação do Conselho de Administração da Petrobras, e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da investigação.

A presidenta considerou "lamentável" a ocorrência do vazamento ilegal de uma hipotética delação premiada, que, se foi feita, teve como motivo único a tentativa de atingir sua pessoa e seu governo. "Provavelmente, pelo imoral e mesquinho desejo de vingança e de retaliação de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou", ressaltou.

Ela disse também que não pediu ao senador petista para conversar com juristas antes de indicá-los ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de convencê-los a votar a favor do governo. Dilma declarou ter nomeado três ministros na turma do STJ a que teria se referido o senador, dos quais apenas um votou favoravelmente a seu governo.

Dilma enfatizou “jamais” ter falado com Delcídio sobre o assunto e negou ter tentado negociar “de forma imoral” a nomeação dos ministros, com o objetivo de conseguir a libertação de investigados da Lava Jato, que na época estavam presos preventivamente.

“O ministro Marcelo Navarro, o presidente do STJ, Francisco Falcão, os desembargadores Newton Trisotto e Nelson Schaefer negaram peremptoriamente a existência de quaisquer tratativas do governo a respeito. A afirmação atribuída ao senador, assim, restou claramente desmentida”, afirmou Dilma.

A presidente fez o pronunciamento ao lado de dez ministros de sua equipe. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, também estava presente na hora do  pronunciamento.

CPI dos Bingos

Dilma negou ainda que o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, no Congresso Nacional, tenha ocorrido para “beneficiar, de alguma forma”, a sua campanha presidencial de 2010. Sobre esse assunto, a presidenta disse que a afirmação “se desmente pela própria temporalidade”.

“A CPI dos Bingos teve início em 29 de junho de 2005 e foi encerrada em 20 de junho de 2006, ou seja, foi aberta praticamente a uma semana da minha posse como ministra-chefe da Casa Civil e distante quatro anos da minha indicação à Presidência da República. Sem dúvida, ninguém, em 2006, tinha a possibilidade de supor que eu seria candidata à Presidência da República, e antever essa situação. É, portanto, descabida, é, portanto, absurda qualquer associação entre o encerramento dessa CPI com a minha campanha eleitoral de 2010”, enfatizou Dilma.