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Política

Antes de protestos, clima político se acirra

por Redação — publicado 09/03/2015 13h26, última modificação 09/03/2015 16h59
"Panelaço" indica forte clima contrário a Dilma, e PT culpa "burguesia". Na sexta e no domingo, País terá mobilizações
Reprodução

Em meio a um ajuste fiscal impopular e aos pedidos de investigação da Operação Lava Jato aceitos pelo Supremo Tribunal Federal, o clima político se acirrou no País em uma semana que terminará com duas grandes mobilizações, uma em defesa da Petrobras e outra pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O pronunciamento de Dilma na noite de domingo 8, pelo Dia Internacional da Mulher, foi acompanhado de manifestações em diversas cidades do País. Pessoas organizadas pela internet xingaram a petista e fizeram um "panelaço" enquanto o discurso era transmitido em cadeia nacional. Vídeos e fotos publicados em redes sociais mostraram que o clima de indignação de parte da sociedade com o PT e com Dilma, escancarado durante as eleições, segue latente.

O "panelaço" serviu para dar força aos grupos que vão para a rua no domingo 15 pedir a saída de Dilma do poder e esperam reunir 100 mil pessoas em diversas cidades. Tratam-se de facções diversas que têm em comum a oposição ao PT.

Um dos grupos é o Movimento Brasil Livre (MBL), comandado por jovens que se dizem liberais, mas adotam essa nomenclatura apenas em questões econômicas: são a favor do Estado mínimo. No campo social, o MBL é conservador: despreza temas como a legalização das drogas e a criminalização da homofobia e têm integrantes contra o casamento gay e a descriminalização do aborto.

Outro grupo que vem ganhando relevância é o Vem Pra Rua, organizado por empresários anônimos. O Vem Pra Rua nega ter ligações com o PSDB, segundo afirmou à Folha de S.Paulo um integrante do MBL, e diz que se financia com base em doações dos próprios integrantes do grupo. Também prometem ir às ruas o Legalistas, que advoga abertamente um golpe militar para tirar o PT do poder, e o Revoltados On Line, que diz ter abandonado a tese do golpe militar em favor do impeachment.

A Força Sindical, que durante o primeiro mandato de Dilma rompeu com o governo, também deve engrossar a mobilização do domingo.

A posição oficial do PSDB sobre as manifestações de domingo ainda não está fechada. Nesta quarta-feira 11, o partido presidido pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), cujo pedido de investigação na Lava Jato foi arquivado, deve se reunir para decidir sua posição.

PT culpa a burguesia

O PT dá sinais de indignação com a movimentação pela saída de Dilma Rousseff, eleita em outubro com 53 milhões de votos. Em entrevista a CartaCapital, o ministro Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência, afirmou que o impeachment é uma "tese de neoliberais em crise e golpistas".

Nesta segunda-feira 9, o secretário nacional de Comunicação do PT, José Américo Dias, e o vice-presidente e coordenador das redes sociais da legenda, Alberto Cantalice, ecoaram Rossetto. Em resposta ao panelaço, José Américo afirmou que a mobilização tem "a presença e o financiamento de partidos de oposição". Cantalice, por sua vez, equiparou o "panelaço" às Marchas da Família, que ficaram famosas por defender golpes militares contra o PT.

"Existe uma orquestração com viés golpista que parte principalmente dos setores da burguesia e da classe média alta”, disse Cantalice. “Hoje, reciclados, investem em novas formas de atuação buscando galvanizar os setores populares”.

Ato em defesa da Petrobras

O PT também deve experimentar críticas na sexta-feira 13, mas de outro lado. Vão às ruas nesta data movimentos sociais para protestar pelo "Dia Nacional de Luta em Defesa dos Direitos da Classe Trabalhadora, da Petrobras, da Democracia e Reforma Política, Contra o Retrocesso". A Central Única dos Trabalhadores (CUT) lidera as manifestações, ao lado da Federação Única dos Petroleiros (FUP). No fim de fevereiro, José Maria Rangel, presidente da FUP, revelou, em entrevista a CartaCapital, as reclamações da categoria diante do que avalia ser a inação do governo em meio às investigações da Lava Jato. Funcionários da Petrobras viraram piada e governo não reage”, disse Rangel.

Para o PT, o ato da sexta-feira pode ter desfechos positivos, pois atinge também a oposição. O caso de corrupção na estatal é um dos temas pois, na avaliação da CUT e da FUP, os partidos oposicionistas estariam usando as investigações sobre a Petrobras "como pretexto para enfraquecer e paralisar a empresa". A crítica vai ao encontro da tese petista de que o PSDB é um partido "privatista". Um líder tucano que pode sair chamuscado dos atos é Beto Richa (PSDB), governador do Paraná. Em Curitiba, o ato da CUT e da FUP deve ser engrossado pelas organizações de professores que, há semanas, protestam contra o governo paranaense.