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Só Garrone desafina

por Orlando Margarido — publicado 27/05/2012 18h28, última modificação 27/05/2012 18h28

Caros, um rápido comentário ainda no calor da premiação. Claro que o filme de Haneke é uma digníssima Palma de Ouro, até porque contempla obviamente o par protagonista Emmanuele Rivas e Trintignant. Me referi anteriormente a eles como parte da mitologia do cinema, e um leitor me pediu para explicar melhor o que quis dizer. Falo de mitos no sentido de interpretes que já deixaram de ser apenas profissionais dessa casta muito particular de seres humanos e adquiriram um aspecto quase intocável, até santo se preferirem. Os dois são a grande força do filme, mas Haneke claro é um diretor sempre rigoroso, de uma dureza na tela que desconcerta. Acho por isso mesmo que ter recebido a Palma em 2009 por A Fita Branca parece enfraquecer esta agora, pois não sinto o mesmo impacto do trabalho anterior. É revelador, no entanto, que este júri de forma geral, liderado por Nanni Moretti, tenha se desviado um pouco do caminho esperado para a Palma, muito lembrada para o romeno Mungiu ou o russo Loznitsa, para mim o grande injustiçado da noite. Vou considerar a escolha da Palma como um trabalho raro, em equipe,  de rara afinidade entre um cineasta e seus atores. Sobre o resto da premiação, quase tudo me agradou muito, exceto o Grand Prix para Garrone, um filme interessante, com bom ator, mas não merecedor de tanto entre tantos filmes melhores. Moretti puxou aí, evidentemente, sua influência para a Itália. Em compensação, não deixou Loach sair de mãos abanando, afinado com um cinema político de esquerda que é. Achei muito bacana, surpreendente mesmo, a direção para Reygadas, bancando sua proposta autoral e por vezes incompreensível mesmo. Boa as escolhas dos atores, que tiveram grandes performances neste festival, e um pacote merecido de dobradinha para Mungiu, com roteiro e suas atrizes. Não posso comentar sobre o Camera D’Or para Beasts... , que não vi e também venceu Sundance, mas aponto que o nosso Cacá Diegues falou bonito, em francês fluente, na hora de justificar o prêmio. Vou as coletivas dos premiados e depois volto com novidades. Até!