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Cultura

Festival de Cannes

Rumores para Asghar Farhadi

por Orlando Margarido — publicado 26/05/2013 14h55
Palma de Ouro iria para Le Passé, mas La Vie d'Adèle é o preferido entre jornalistas, em meio a manifestações contra o casamento gay na França
Divulgação
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Rumores apontam a Palma de Ouro para Le Passé, de Farhadi

Cannes -- Difícil acreditar, mas os rumores que chegam aqui na sala de imprensa, de onde acompanharei a premiação, a Palmarés para os franceses, dá conta da Palma de Ouro para Le Passé, O Passado, do iraniano Asghar Farhadi. Faria algum sentido, vá lá, como filme conciliador, e Rodrigo Fonseca, meu colega de O Globo aponta um caminho curioso para justificar o prêmio. Spielberg, embaixador do cinema americano para o mundo, diz,Rodrigo, tentaria reverter a péssima impressão causada por Hollywood com Argo e seu Oscar. Affleck, como vimos, trata os iranianos com os westerns trataram os índios no oeste, destituindo-os de seu valor, sua cultura, sua dignidade. Bem, espero que a fofoca e Rodrigo estejam errados. Farhadi não faz um filme a altura de uma Palma, embora, claro, tenha seu valor. Então em que apostar?

Todos os anos alguns jornais locais fazem suas apostas para a Palma. O Le Figaro, conservador, põe Kore-eda em primeiro plano, e não é o único. Em rodas de conversa, o director japonês é sempre lembrado. Ele já chegou ao Palais du Festival, já deu sua entrevista. Isso sempre diz algo para algum prêmio. Já o Nice Matin, jornal da região, promove Kechiche ao máximo posto, mas acharei o júri de Spielberg, e ele mesmo, muito corajoso em dar amplitude merecida ao maravilhoso La Vie d'Adèle.

Seria uma resposta na medida aos mais de 150 mil que marcharam hoje em Paris contra o casamento gay. Mas será que Spielberg é como Michael Mann, que não se dá conta do que move um país em dado momento? Não me canso de bater em Mann por ele ter tirado o prêmio de Bellocchio em Veneza, dizendo, não com todas as letras, que o cinema italiano anda olhando só para o próprio umbigo. Ja os enviados do Liberation, jornal de esquerda, se dividem entre Kechiche, Michael Koolhaas e... o Liberace de Soderbergh.

Espero que o Behind the Candelabra seja esquecido mas há grandes apostas para Michael Douglas no papel principal para prêmio de ator. Talvez então Spielberg daria sua resposta as manifestações pelo extravagante Liberace. Eu espero que não, e que Toni Servillo de A Grande Bellezza seja o laureado. Mas aí, pelas regras da casa, um filme não pode acumular a Palma e mais um prêmio. Como fazer então? Preferiria o premio máximo para Sorrentino, o que incluiria, claro, a ótima interpretação do italiano.

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